Conceição Evaristo alerta para riscos da inteligência artificial na literatura e anuncia novos projetos aos 80 anos

Prestes a completar oito décadas de vida, a escritora Conceição Evaristo, um dos nomes mais fundamentais e celebrados da literatura brasileira contemporânea, reflete sobre os rumos da criação artística em meio ao avanço vertiginoso das novas tecnologias. Em declarações recentes, a autora expressou preocupação com o impacto da inteligência artificial sobre a escrita, defendendo que a sensibilidade, a vivência e a ancestralidade humana continuam sendo pilares insubstituíveis na construção literária.

Autora de obras marcantes como Ponciá Vicêncio e Olhos d’água, Conceição Evaristo consolidou o conceito de “escrevivência” — a escrita que nasce do cotidiano, das memórias e das experiências da população negra, especialmente das mulheres. Para a autora, a automação gerada por algoritmos de inteligência artificial threatening a profundidade subjetiva que caracteriza a arte, reduzindo o processo criativo a meras combinações de dados desprovidas de corpo e alma.

Apesar das ressalvas em relação às tecnologias emergentes, a autora demonstra entusiasmo ao observar a cena literária atual. Conceição destaca com otimismo o fortalecimento de uma nova geração de escritores e escritoras negras, que têm ocupado espaços no mercado editorial e ampliado a diversidade de vozes e narrativas no país, dando continuidade às lutas e memórias ancestrais.

Aos quase 80 anos, a escritora mantém uma produção vibrante e anuncia novidades para o público leitor. Entre os seus próximos lançamentos está uma obra dedicada a poemas sexuais, projeto que explora o afeto, o desejo e a erotização sob a perspectiva da mulher negra, reafirmando a liberdade do corpo e a potência do erotismo na maturidade.

O legado e a atuação constante de Conceição Evaristo reafirmam o papel da literatura como instrumento de resistência e reflexão crítica, mostrando que, mesmo diante de transformações tecnológicas profundas, a experiência humana contada com voz própria permanece insubstituível.


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