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A inteligência artificial que quer um assento no Congresso da Colômbia

A inteligência artificial que quer um assento no Congresso da Colômbia

Uma figura de pele azulada, voz sintetizada e trajes tradicionais indígenas está sacudindo o cenário político da Colômbia. Atendendo pelo nome de Gaitana, a primeira candidata gerada por Inteligência Artificial (IA) da América Latina concorre a uma vaga no Senado e na Câmara de Representantes nas eleições legislativas marcadas para o próximo dia 8 de março de 2026.

​O projeto, liderado pelo engenheiro mecatrônico Carlos Redondo (membro do povo Zenú) e pela socióloga Alba Luz Rincón, propõe uma “algocracia”: um modelo onde a tecnologia não apenas auxilia, mas centraliza a tomada de decisões com base no consenso popular direto.

​Como funciona o mandato de uma IA?

​Como a legislação colombiana não permite que um software possua direitos políticos, a solução encontrada foi híbrida. Na cédula eleitoral, os eleitores encontrarão a sigla “IA”. Caso vença, os assentos serão ocupados fisicamente por Carlos Redondo e outro representante humano, que atuarão como “porta-vozes” da plataforma.

  • Voto por Consenso: Se um projeto de lei de 200 páginas chega ao Congresso, Gaitana o resume em infográficos simples e o envia para sua comunidade (que já conta com mais de 10 mil usuários).
  • Democracia Direta: Os apoiadores votam pelo celular. A decisão da maioria (50% + 1) determina como o representante humano deverá votar no plenário.
  • Transparência: Todas as interações e votações são registradas via blockchain, garantindo que o posicionamento da IA seja inalterável e auditável.

​O debate ético e jurídico

​A candidatura de Gaitana levanta questões complexas que desafiam o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Colômbia:

  1. Responsabilidade Civil: Se a IA tomar uma decisão que fira a Constituição, quem responde legalmente? Especialistas apontam que a responsabilidade permanece com os representantes humanos registrados.
  2. Segurança de Dados: Críticos questionam a vulnerabilidade da plataforma a ataques cibernéticos ou manipulação de algoritmos que poderiam distorcer a vontade popular.
  3. Representação Indígena: Gaitana concorre pela Circunscrição Especial Indígena. Seus criadores defendem que a IA reflete a “cosmovisão” dessas comunidades, onde o ego do líder é substituído pela busca do consenso coletivo.

​O que dizem as pesquisas?

​Embora a iniciativa atraia a atenção global, o impacto nas urnas ainda é incerto. Pesquisas recentes indicam que, apesar do forte engajamento digital, apenas cerca de um terço dos eleitores com menos de 24 anos demonstra intenção real de votar na plataforma. O ceticismo sobre a “desumanização” da política versus a promessa de combater a corrupção por meio de algoritmos isentos é o centro do debate eleitoral nesta reta final.

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