Liquidante do Banco Master acusa família Vorcaro de desviar US$ 1 bilhão em ação judicial nos EUA
A EFB Regimes Especiais, empresa responsável pela liquidação do Banco Master, protocolou uma ação na Justiça dos Estados Unidos contra Henrique Vorcaro e Natalia Vorcaro Zettel, pai e irmã do ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro. A acusação detalha um esquema de enriquecimento ilícito e fraudes que teria resultado no desvio de aproximadamente US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões) para o patrimônio pessoal da família.
A ofensiva jurídica, que tramita no Tribunal de Falências de Miami, busca a repatriação desses valores para a massa falida do banco, visando o ressarcimento de credores e depositantes prejudicados.
Detalhes das transações e ativos de luxo
Segundo a petição apresentada pela liquidante, os recursos desviados teriam sido utilizados para manter um estilo de vida extravagante e adquirir ativos de alto valor no exterior. Entre os pontos centrais da investigação estão:
- Imóveis de Luxo: A compra de uma mansão de 2.200 metros quadrados nos arredores de Orlando, avaliada em US$ 32 milhões, adquirida por Henrique Vorcaro.
- Obras de Arte: Suspeitas de aquisição de peças de artistas renomados como Pablo Picasso e Andy Warhol, através de galerias de elite como Gagosian e Pace.
- Triangulação Financeira: O uso de empresas sediadas em paraísos fiscais e no estado de Delaware (EUA) para ocultar a origem do capital, incluindo o aporte de R$ 495 milhões em uma empresa denominada Jaguar Investments Horizon.
Desdobramentos no Brasil e a Operação Compliance Zero
O caso é um desdobramento da crise que levou o Banco Central a decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025. No Brasil, a Polícia Federal conduz a Operação Compliance Zero, que já resultou no bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e na prisão temporária de Daniel Vorcaro no início de 2026.
As investigações apontam que o banco teria inflado seu balanço por meio da fabricação de carteiras de crédito falsas e tentado uma venda irregular de ativos para o Banco de Brasília (BRB), operação esta que foi barrada pelas autoridades monetárias.
”O capital transferido teve origem no Banco Master, pelo qual a instituição não recebeu nenhum valor real ou equivalente razoável”, afirma a petição da EFB.
Próximos passos judiciais
A Justiça americana já reconheceu a eficácia da liquidação brasileira em território norte-americano, o que confere à EFB poderes para intimar testemunhas, produzir provas e bloquear ativos. Uma nova audiência está prevista para o dia 4 de março, onde o juiz Scott M. Grossman analisará objeções da defesa que tenta impedir o acesso aos bens pessoais dos envolvidos.

































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