Häagen-Dazs encerra operações no Brasil após quase três décadas e economistas analisam cenário para marcas internacionais

A saída da tradicional marca de sorvete premium Häagen-Dazs do mercado brasileiro, após cerca de 30 anos de presença nas prateleiras dos supermercados, reacendeu o debate sobre os desafios enfrentados por multinacionais no País. A notícia somou-se a outros casos recentes de grandes marcas internacionais que fecharam portas ou reduziram suas operações em solo nacional, levantando questionamentos sobre a viabilidade do consumo de alto padrão no mercado local.

Apesar da percepção de que existe um “êxodo” de empresas estrangeiras, economistas e especialistas em varejo ponderam que a decisão envolve múltiplos fatores e não reflete, necessariamente, um fenômeno generalizado de rejeição do mercado brasileiro a produtos globais.

Entre os principais elementos que explicam a saída da Häagen-Dazs e de outras marcas globais, destacam-se:

  • Complexidade tributária e operacional: O ambiente de negócios no Brasil impõe custos elevados de logística, tarifas de importação e uma estrutura fiscal complexa, que impacta diretamente a margem de lucro de produtos importados.
  • Flutuação cambial: A volatilidade do dólar afeta significativamente marcas que dependem de insumos ou produtos finalizados no exterior, encarecendo o preço final para o consumidor.
  • Concorrência com marcas locais: O crescimento da produção artesanal de gelatos e o fortalecimento de marcas nacionais com distribuição consolidada acirraram a disputa pelo consumidor no segmento premium.
  • Posicionamento e público-alvo: Em momentos de retração ou reordenação econômica, produtos posicionados como supérfluos ou de alto valor agregado enfrentam redução de volume de vendas, levando as matrizes globais a reavaliar a rentabilidade de manter operações no País.

Analistas indicam que a decisão da General Mills, detentora da Häagen-Dazs, alinha-se a uma reestruturação estratégica global focada nos mercados de maior margem e volume. Assim, embora a saída represente uma perda de variedade para o consumidor de bens de consumo sofisticados, o movimento é visto mais como um ajuste de portfólio e gestão de risco do que como um indicador definitivo de inviabilidade para investimentos estrangeiros no Brasil.


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