Super-ricos concentram 13,1% da renda no governo Lula impulsionados por juros altos

A fatia da renda nacional nas mãos do topo da pirâmide socioeconômica atingiu um patamar recorde no Brasil. A parcela correspondente aos 0,1% mais ricos subiu para 13,1%, ante os 10,2% registrados em 2020, segundo estimativas elaboradas a partir de dados das declarações do Imposto de Renda da Receita Federal. O movimento ocorre a despeito das prioridades declaradas da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de combate às desigualdades e fortalecimento da renda das famílias mais pobres.

O principal motor desse avanço foi o desempenho expressivo das aplicações financeiras, impulsionado pelo ciclo prolongado de taxas de juros elevadas. Com a taxa Selic mantida em patamares altos para deter as pressões inflacionárias, o estoque de dívida pública e os títulos indexados geraram rendimentos expressivos na renda fixa. Estimativas apontam que o retorno desses investimentos respondeu por cerca de um terço do ganho acumulado pelos super-ricos no período.

O resultado expõe um paradoxo econômico: enquanto políticas públicas de transferência de renda e reajuste do salário mínimo buscam recompor a base da população, o ambiente macroeconômico de custo do dinheiro elevado favorece desproporcionalmente os detentores de grandes capitais. Analistas apontam que a persistência de juros altos tende a prolongar essa dinâmica de concentração, uma vez que a arrecadação de impostos sobre fundos e aplicações financeiras registrou crescimentos expressivos.

Especialistas em economia ressaltam que os índices tradicionais de aferição da desigualdade nem sempre capturam a volatilidade do topo absoluto da distribuição de renda. Diante desse cenário, debates sobre reformas na tributação sobre o patrimônio e ganhos de capital ganham centralidade no debate político para tentar equilibrar a trajetória fiscal e mitigar a disparidade econômica.


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