Senadores articulam pedido de impeachment de André Mendonça com base em relatório divulgado por Alexandre de Moraes

Integrantes do Senado Federal deram início à articulação de um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. A movimentação ocorre após a divulgação, pelo ministro Alexandre de Moraes, de relatórios de inteligência da Polícia Federal que apontam suposta conduta parcial e direcionamento de investigações por parte de Mendonça contra o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e outros parlamentares.

O pano de fundo da articulação envolve o acirramento da crise institucional na Corte e no Congresso Nacional. Os documentos citados por Moraes no âmbito do Inquérito das Fake News sustentam a tese de que Alcolumbre teria se tornado um “alvo estratégico” de apurações conduzidas sob a relatoria de Mendonça, motivado por desavenças políticas históricas relativas ao período de sabatina do ministro no Senado, em 2021. Com base nesses relatos, parlamentares articulam a apresentação de um pedido de afastamento, avaliando inclusive a possibilidade de que a peça seja protocolada por entidades ou cidadãos externos ao Congresso para blindar a liderança política do Senado.

O avanço da crise levou o presidente do STF, ministro Edson Fachin, a intervir na condução do caso. Fachin decidiu avocar para a Presidência do tribunal os procedimentos sobre os desdobramentos das acusações e retirou do Inquérito das Fake News o pedido formulado por Moraes para investigar Mendonça. O presidente fixou prazo para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) e do próprio ministro citado antes de deliberar sobre eventuais encaminhamentos ao plenário da Corte.

Paralelamente, relatórios técnicos ressaltam que os documentos elaborados pela Polícia Federal possuem caráter informativo interno e sem valor probatório autônomo para fundamentar representações formais. No entanto, a repercussão política do confronto entre integrantes do Supremo e do Legislativo mantém o clima de tensão em Brasília, com desdobramentos aguardados na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e na Presidência do Senado.


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