Governo Trump exigiu que gestão Lula libere “dissidentes políticos” nas eleições de 2026 em troca de negociação tarifária
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou formalmente ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma lista com 21 exigências para avançar nas negociações bilaterais de comércio. Entre os pontos entregues durante reuniões em Washington, a gestão norte-americana exigiu que o Brasil garanta a realização de eleições “livres e justas” em 2026 e se comprometa a não deter, prender ou impedir de forma “arbitrária” a participação de “dissidentes políticos” no pleito presidencial.
A entrega do documento ocorreu em outubro de 2025, em meio aos esforços da diplomacia brasileira para reverter o “tarifaço” de 50% aplicado pelos EUA sobre produtos do país. Embora o texto não citasse diretamente nomes, diplomatas e analistas interpretaram a expressão “dissidentes políticos” como uma referência velada ao ex-presidente Jair Bolsonaro — que foi condenado a mais de 27 anos de prisão e declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — e a outros aliados do espectro conservador.
Outras imposições e reação de Brasília
A lista de condições imposta por Washington extrapolou os limites eleitorais e abrangeu tópicos soberanos e estratégicos:
- Proteção a Big Techs: Exigência de consulta prévia a empresas de tecnologia americanas para a implementação de regulação digital no Brasil, além de regras mais rígidas e direito de defesa para a remoção de conteúdos em redes sociais.
- Cumprimento de Sanções: Pedido para que o país não penalizasse bancos brasileiros que aderissem a sanções financeiras unilaterais aplicadas pelos EUA — incluindo as sanções amparadas na Lei Magnitsky contra autoridades como o ministro Alexandre de Moraes e familiares.
- Geopolítica e Minerais Críticos: Pedido para que o Brasil informasse antecipadamente ao governo americano todas as exportações e embarques de terras raras destinados à China.
A reação nos bastidores da diplomacia brasileira foi de repúdio às solicitações. Integrantes do Itamaraty classificaram os termos como uma proposta de “capitulação” da soberania e uma tentativa inaceitável de ingerência na Justiça e no processo político nacional.
Em contraproposta enviada no final de 2025, o governo brasileiro ignorou completamente as cláusulas de cunho político e regulatório, mantendo as conversas restritas ao âmbito estritamente comercial. Posteriormente, as exigências originais acabaram substituídas em novas rodadas de diálogo sem que fossem aceitas pela administração Lula. Procurados para comentar a revelação do documento, o Itamaraty e o governo dos Estados Unidos não emitiram manifestações oficiais.
Descubra mais sobre
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.



Publicar comentário