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Milton Leite se entrega à polícia após ser alvo de operação contra infiltração do PCC no transporte de São Paulo

Milton Leite se entrega à polícia após ser alvo de operação contra infiltração do PCC no transporte de São Paulo

O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) se entregou à polícia na tarde desta sexta-feira (18) na Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ele era alvo de um mandado de prisão temporária expedido no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada na quinta-feira (17) pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) para apurar a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da capital paulista.

Leite estava foragido desde a manhã de quinta-feira, quando agentes não o encontraram em sua residência na região de Interlagos, na zona sul de São Paulo. Em comunicado, ele afirmou que estava viajando e que se apresentaria em até 24 horas para provar sua inocência. A prisão temporária tem validade de 30 dias.

Investigações e suspeitas

Segundo os investigadores, Milton Leite seria responsável direto pela operação de algumas empresas de ônibus que estariam sob controle do PCC, além de ser apontado como o dono de fato da Transwolff. A investigação apura suspeitas de interferência em licitações, contratos públicos e negociações de empresas do setor de transporte. Entre as empresas citadas estão Transwolff, A2 Transportes, Translider, Transbellaflor e Alfa Rodobus.

A Operação Vectura Corrupta é um desdobramento da Operação Dercúrio, deflagrada em agosto de 2024 contra um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico de drogas operado pelo PCC. Na ocasião, a investigação revelou uma rede de comunicação usada pela facção para manter contato entre integrantes da “Sintonia Restrita” e da “Sintonia dos Gravatas”, além de projetos para lançar faccionados como candidatos nas eleições municipais.

Descobertas em Sorocaba

Antes da entrega de Leite, agentes da Polícia Civil e do MP-SP realizaram buscas em um imóvel em Sorocaba, no interior paulista, atribuído ao ex-vereador e a um assessor dele. No local, as autoridades encontraram uma “passagem secreta” que conectava os dois imóveis e apreenderam cerca de R$ 280 mil e US$ 89 mil em espécie, totalizando mais de R$ 700 mil. Não há informações sobre a origem dos valores.

A polícia também investiga a possibilidade de vazamento da operação, uma vez que Leite não foi localizado nas propriedades visitadas pelas autoridades. O delegado Fabrício Intelizano, da Dise de Mogi das Cruzes, afirmou que a hipótese será apurada: “A gente vai apurar isso no curso da investigação, mas a gente não pode afirmar de maneira categórica”.

Outros alvos e repercussão

Dos 16 mandados de prisão temporária autorizados pela Justiça, 11 foram cumpridos até o momento. Entre os presos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans e ex-secretário da gestão Ricardo Nunes. Outras cinco pessoas ainda estão foragidas, incluindo Paulo Sirqueira Korek Farias, presidente do Água Santa e dono da viação A2.

A prefeitura de São Paulo informou que estuda intervir na empresa A2, assim como fez com as empresas Transwolff e UPBus em 2024, para proteger o sistema público de transporte. Em nota, o Executivo municipal afirmou que está colaborando com as investigações.

Milton Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos, deixando o Legislativo ao final de 2024 após 28 anos. Mesmo sem mandato, continuou exercendo influência política como presidente do União Brasil em São Paulo e do diretório estadual da Federação União Progressista.

Em depoimento anterior à entrega, Leite negou as acusações: “Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor de transportes foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono da Transwolff”. Seus representantes disseram que não tiveram acesso a todas as informações do caso e que, por isso, não entraram com pedido de relaxamento na Justiça.

Após prestar depoimento, Leite será levado para a cadeia pública de Mogi das Cruzes, onde permanecerá à disposição da Justiça.


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