Curiosidade

Cientistas e DNA revelam que gatos foram domesticados milênios depois do que se imaginava

Novas análises genéticas publicadas em dezembro de 2025 estão reescrevendo a história da relação entre humanos e felinos. Estudos liderados por instituições como a Universidade de Roma Tor Vergata e a Universidade de Exeter, divulgados nas revistas Science e Cell Genomics, revelam que o gato doméstico moderno (Felis catus) demorou muito mais para se espalhar pelo mundo e ser verdadeiramente domesticado do que as teorias anteriores sugeriam.

​Até recentemente, acreditava-se que a domesticação havia ocorrido há cerca de 9.500 anos, junto ao surgimento da agricultura no Crescente Fértil (região do Levante). No entanto, os novos dados mostram um cenário diferente.

​As principais descobertas do DNA antigo

​A equipe coordenada pelo paleogeneticista Claudio Ottoni analisou o genoma de centenas de gatos, incluindo restos arqueológicos de 11 mil anos atrás e espécimes modernos. Os pontos fundamentais revelados pela pesquisa indicam:

  • Origem no Norte da África: Diferente do que se pensava, os ancestrais diretos de todos os gatos domésticos atuais não vieram do Oriente Médio, mas sim do Norte da África (especificamente de regiões como o Egito e a Tunísia).
  • Chegada tardia à Europa: Os primeiros gatos domésticos só se estabeleceram na Europa há cerca de 2.000 anos, coincidindo com o auge do Império Romano. Antes disso, os felinos encontrados no continente eram gatos-selvagens europeus, que não compartilham a linhagem dos nossos animais de estimação.
  • Papel dos Romanos e da Rota da Seda: A expansão felina foi impulsionada por rotas comerciais e militares. Os romanos transportavam gatos em navios de grãos para controlar pragas de roedores, enquanto na Ásia, os felinos modernos chegaram via Rota da Seda por volta de 730 d.C.

​Por que demorou tanto?

​Diferente dos cães, que foram moldados pelos humanos para o trabalho e companhia há dezenas de milhares de anos, os gatos mantiveram uma relação comensal por muito tempo. Isso significa que eles viviam próximos aos humanos por interesse próprio (caçar ratos nos estoques de comida), mas sem uma mudança genética significativa que os tornasse “domesticados”.

​”A domesticação de gatos é complexa. O que podemos dizer agora é o momento exato da introdução desses animais na Europa, vindo da África, o que derruba teorias de uma domesticação precoce há 7 mil anos”, explica Ottoni.

​Além do aspecto prático, a religião e a cultura desempenharam um papel crucial. A veneração egípcia pelos gatos ajudou a transformar o pequeno predador em um símbolo de status e proteção, facilitando sua aceitação em novas culturas conforme as rotas marítimas ligavam o Egito ao resto do Mediterrâneo.

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