Indígenas foram removidos à força de território ancestral e submetidos a violências sistemáticas, incluindo trabalho escravo e supressão cultural; ação destaca danos persistentes até hoje
O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação judicial exigindo indenização de R$ 14,4 milhões da União, da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), dos estados de Minas Gerais, São Paulo e do município de Arco-Íris (SP) por danos morais e coletivos sofridos pelo povo Krenak durante a ditadura militar (1964-1985). A ação, movida em março de 2025, acusa o Estado brasileiro de promover genocídio e etnocídio contra a etnia, cujas consequências perduram por gerações .
Remoção forçada e violações sistemáticas
No início do regime militar, os Krenak foram expulsos de suas terras ancestrais às margens do rio Doce, em Resplendor (MG), e dispersados para outras regiões. Impedidos de retornar, enfrentaram um processo de “degeneração cultural”, com proibição de falar sua língua nativa e prática de rituais sagrados. O MPF relata que o governo militar criou um reformatório na área, usado para encarcerar indígenas resistentes, submetendo-os a torturas, violência sexual e trabalho escravo. Qualquer resistência, inclusive o uso do idioma tradicional, era pretexto para prisão .
A ação descreve crimes como transferência compulsória, perda de vínculos ancest