A abertura do desfile do Grupo Especial do Rio de Janeiro, na noite deste domingo, 15 de fevereiro de 2026, transformou o Sambódromo em uma arena de disputa política. A Acadêmicos de Niterói, estreante na elite do Carnaval, levou para a avenida o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, uma homenagem direta à trajetória do atual presidente.
A apresentação, desenvolvida pelo carnavalesco Tiago Martins, narrou a vida de Luiz Inácio Lula da Silva sob a perspectiva de sua mãe, Dona Lindu. O desfile percorreu desde a infância sofrida em Garanhuns (PE) e a viagem em um caminhão “pau-de-arara” até a consagração política em Brasília, destacando a fase de torneiro mecânico no ABC Paulista e as greves da ditadura militar.
Polêmicas e sátiras políticas
Além da exaltação ao presidente, a escola não poupou críticas a adversários políticos. Uma das alegorias gerou forte repercussão ao trazer uma representação de um “palhaço preso” utilizando tornozeleira eletrônica, em clara alusão ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Outros elementos simbólicos citaram o “roubo” da faixa presidencial de Dilma Rousseff por Michel Temer, elevando a temperatura ideológica na Sapucaí.
Lula acompanhou o desfile de um camarote da prefeitura, ao lado do prefeito Eduardo Paes e de ministros. A primeira-dama, Janja da Silva, que chegou a ter sua participação cogitada no desfile, optou por assistir à apresentação ao lado do marido, após uma breve passagem pela avenida.
Ofensiva jurídica da oposição
A homenagem, no entanto, pode ter um custo jurídico elevado. Parlamentares da oposição, liderados por nomes como Flávio Bolsonaro e partidos como o Novo, classificaram o desfile como “abuso de poder político e econômico”.
”Nossa ação contra os crimes do PT na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE!”, afirmou o senador Flávio Bolsonaro em suas redes sociais nesta segunda-feira, 16.
Os principais pontos de contestação são:
- Propaganda Eleitoral Antecipada: A oposição argumenta que o desfile configura promoção indevida de um pré-candidato à reeleição em ano eleitoral.
- Uso de Verba Pública: Questiona-se o repasse de cerca de R$ 1 milhão via Embratur e R$ 4,4 milhões da Prefeitura de Niterói para a agremiação.
- Risco de Inelegibilidade: O Partido Novo estuda protocolar um pedido que pode levar à inelegibilidade de Lula, alegando o sequestro de uma manifestação cultural para fins eleitoreiros.
Desempenho técnico sob pressão
Apesar do forte apelo emocional e político, a Acadêmicos de Niterói enfrentou problemas técnicos. Críticos apontaram falhas em alegorias e fantasias, que pareceram aquém do luxo esperado para o Grupo Especial. Especialistas do setor avaliam que a escola pode ser penalizada nos quesitos plásticos, o que, somado à polêmica jurídica, coloca a agremiação em uma posição delicada na apuração que ocorrerá na próxima quarta-feira de cinzas.
O TSE, que já havia negado pedidos de liminar para barrar o desfile antes do Carnaval preservando a liberdade de expressão, agora deverá analisar o mérito das ações que focam no impacto eleitoral da exibição.




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