PONTA GROSSA – O Conselho Municipal do Meio Ambiente (Condema) de Ponta Grossa oficializou a convocação da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar) para prestar esclarecimentos sobre as recorrentes falhas na qualidade da água distribuída no município. A medida, assinada pelo presidente do órgão, Robson Carlos Klimionte, ocorre após uma onda de reclamações de moradores que relatam água com coloração escura, odor fétido e gosto desagradável em diversos bairros.
Detalhes da convocação e crise no abastecimento
A Sanepar deverá comparecer a uma reunião na próxima quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026, às 14h, na sede da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg). O objetivo é detalhar as razões técnicas para que o produto entregue à população esteja fora dos padrões de potabilidade estabelecidos pela Portaria GM/MS nº 888/2021, que exige que a água seja inodora, insípida e incolor.
A crise não é recente. Ao longo de fevereiro, moradores de regiões como Oficinas, Ronda e Vila Estrela têm denunciado o “cheiro de podre” nas torneiras. Além do Condema, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) já abriu inquérito para investigar a situação, e o Procon municipal notificou a concessionária.
O que diz a Sanepar
Em manifestações recentes, a Sanepar atribuiu a alteração no gosto e no cheiro da água à floração de algas na Represa de Alagados, fenômeno potencializado pelo calor intenso e pelos baixos níveis de pluviosidade registrados nos últimos meses. A companhia afirma que a alteração é apenas “sensorial” e que a água permanece própria para o consumo humano, não oferecendo riscos à saúde.
A empresa também destacou que utiliza o sistema Actiflow (tecnologia com microareia) para tratar a água da represa, mas admite que a alta carga de matéria orgânica exige ajustes constantes nos processos de filtração.
Novidades e desdobramentos
- Faturas abusivas: Paralelamente aos problemas de qualidade, a Sanepar enfrenta uma crise de confiança devido a erros nas leituras. Seguidores de portais locais e órgãos de defesa do consumidor relataram faturas com aumentos que variam de R$ 100 a mais de R$ 2.000. A companhia admitiu a possibilidade de erros e garantiu que haverá ressarcimento mediante comprovação.
- Pressão Política: O vereador Julio Küller e outros parlamentares têm se reunido com instituições para exigir prazos definitivos para a normalização. No ano passado, a Sanepar já havia firmado um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) prevendo descontos nas faturas devido a interrupções no fornecimento, o que aumenta a pressão por penalidades agora relacionadas à qualidade química do produto.
- Situação dos Mananciais: O nível da Represa do Alagados é monitorado de perto. Embora ainda não tenha atingido o nível crítico de 7 metros, o baixo volume contribui para a concentração de sedimentos e algas, dificultando o tratamento e gerando a água turva relatada pelos usuários.
O espaço segue aberto para o posicionamento oficial da Sanepar após a audiência com o Condema.




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