Político deixa o cargo após apenas quatro meses sob acusações de corrupção; país terá novo líder interino até as eleições gerais de abril
O Congresso do Peru aprovou, nesta terça-feira (17), a destituição do presidente interino José Jerí. A decisão aprofunda a crônica instabilidade política do país andino, que agora se prepara para empossar seu nono chefe de Estado em menos de uma década. Jerí, que ocupava o cargo desde outubro de 2025, foi removido por meio de uma moção de censura aprovada por 75 votos a favor, 24 contra e três abstenções.
Acusações e queda
A saída de José Jerí foi precipitada por denúncias de “má conduta funcional” e “falta de idoneidade”. O Ministério Público investiga o agora ex-presidente por suposto tráfico de influência. Entre os pontos centrais da acusação estão encontros secretos com empresários chineses que possuem contratos com o governo e a suposta intervenção irregular na contratação de pelo menos nove mulheres para cargos no gabinete presidencial e no Ministério do Meio Ambiente.
Apesar de negar as irregularidades e afirmar possuir “suficiência moral” para o cargo, Jerí não resistiu à pressão parlamentar. Diferente de um processo de impeachment tradicional (vacância), que exige 87 votos, a moção de censura retirou-lhe o cargo de presidente do Congresso — e, por consequência, a presidência da República — com maioria simples.
Próximos passos e sucessão
O país vive um vácuo de poder momentâneo. O Congresso Peruano convocou uma nova sessão para esta quarta-feira (18), às 16h (horário de Brasília), para eleger um novo presidente do Legislativo. O vencedor assumirá automaticamente o comando do Executivo em caráter interino.
De acordo com as últimas informações, os nomes que despontam para a sucessão imediata no Parlamento são:
- Héctor Acuña (Honra e Democracia – direita);
- Maricarmen Alva (Ação Popular – centro-direita);
- Edgar Reymundo (Bloco Democrático Popular – centro-esquerda);
- José Balcázar (Peru Livre – esquerda).
Eleições no horizonte
A destituição ocorre a menos de dois meses das eleições gerais, marcadas para 12 de abril de 2026. O novo presidente interino terá a missão de conduzir o país até a posse do governo eleito, prevista para 28 de julho.
A crise reflete o desgaste das instituições peruanas: desde 2016, a “maldição dos presidentes” fez com que quase nenhum mandatário conseguisse concluir seu período oficial, derrubados por investigações de corrupção ou impasses com um Congresso fragmentado e hostil. Atualmente, o cenário eleitoral conta com mais de 30 pré-candidatos, evidenciando a pulverização política que trava a governabilidade no país.




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