O Carnaval do Rio de Janeiro testemunha, em 2026, um encontro de gerações e legados que promete marcar a história da folia de rua. O Cordão do Boitatá, que celebra três décadas de resistência cultural e fomento à música brasileira, faz sua estreia oficial no Circuito Preta Gil, no Centro da cidade. O desfile deste ano carrega um simbolismo profundo: a homenagem póstuma à cantora Preta Gil, ícone do Carnaval carioca que faleceu no ano passado, e o reconhecimento definitivo do Boitatá como um megabloco.
Um tributo à madrinha da folia
A escolha do trajeto não é por acaso. Ao desfilar no circuito que leva o nome de Preta Gil, o Boitatá reverencia a artista que transformou o domingo de Carnaval em um evento de massa com o seu Bloco da Preta. O cortejo funde a sonoridade tradicional e instrumental do Cordão com a energia vibrante deixada pela cantora, unindo o luto e a celebração em um manifesto de amor à cultura carioca.
Mestres da música no asfalto
Além da saudade de Preta, o repertório e a estética do desfile este ano foram desenhados para celebrar artistas vivos e fundamentais da nossa identidade:
- Hermeto Pascoal: O “bruxo” da música instrumental, cujas harmonias sempre influenciaram a seção de sopros do bloco.
- Paulinho da Viola: Representando a elegância do samba e a ligação intrínseca do Boitatá com as raízes do Rio.
- Áurea Martins: A voz de ouro da noite carioca, celebrada por sua trajetória de resistência e talento.
- Odette Ernest Dias: A flautista e educadora, reforçando o DNA de excelência musical do grupo.
De Cortejo a Megabloco: O Novo Patamar
Após anos ocupando as praças com um formato mais contido e focado em arranjos complexos, o Cordão do Boitatá foi oficialmente integrado ao grupo dos megablocos pela prefeitura. Isso significa uma infraestrutura de segurança e logística ampliada para comportar a multidão que, há anos, já transbordava os limites dos seus antigos palcos.
Para os fundadores, completar 30 anos neste novo patamar é a prova de que a música de qualidade — aquela que resgata marchinhas antigas, frevos e choros — tem fôlego para arrastar multidões tão grandes quanto as dos blocos de música pop.
”O Boitatá sempre foi um guardião da memória. Celebrar 30 anos homenageando a Preta e esses mestres é reafirmar que o Carnaval é o nosso maior palco de respeito e renovação”, afirma a organização do bloco.




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