EXPURGOS NO ALTO ESCALÃO CHINÊS: Xi Jinping destitui Zhang Youxia e consolida controle absoluto sobre as Forças Armadas

Pequim – Em um movimento que analistas internacionais classificam como o ponto máximo de uma “paranoia autocrática”, o presidente da China, Xi Jinping, aprofundou radicalmente a limpeza nas fileiras do Exército de Libertação Popular (ELP) entre o final de 2025 e o início de 2026. A queda mais recente e impactante é a do general Zhang Youxia, vice-presidente da Comissão Militar Central (CMC) e, até então, considerado o aliado mais leal e intocável do líder chinês.

​A destituição de Zhang, confirmada oficialmente em janeiro de 2026, marca a desintegração quase total da cúpula militar que iniciou o atual mandato de Xi. Das sete cadeiras originais da CMC, apenas Xi Jinping e um reduzido grupo de oficiais permanecem ilesos. O expurgo não se limitou a Zhang: figuras como He Weidong e o almirante Miao Hua também foram alvos de investigações por “violações disciplinares”, termo frequentemente utilizado pelo Partido Comunista Chinês (PCC) para mascarar purgas políticas sob o manto do combate à corrupção.

​O fim da “Velha Guarda” e a suspeita de traição

​O caso de Zhang Youxia é emblemático. Diferente de outros generais, Zhang possuía uma conexão histórica e pessoal com Xi; seus pais serviram juntos na era revolucionária. Sua queda sugere que a confiança de Xi atingiu um nível de erosão sem precedentes. Relatórios recentes, citados por veículos como o The Wall Street Journal, indicam que Zhang e outros oficiais, como Liu Zhenli, estariam sendo investigados por um suposto conluio para vazar segredos do programa nuclear chinês aos Estados Unidos — uma acusação de traição que pode levar à pena de morte.

​Crise na Força de Foguetes e infraestrutura nuclear

​Este novo ciclo de expurgos é o desdobramento de uma crise que começou a vir a público em 2023, com o desaparecimento do então ministro da Defesa, Li Shangfu, e de líderes da Força de Foguetes, braço responsável pelo arsenal nuclear.

  • Li Shangfu e seu antecessor, Wei Fenghe, foram formalmente expulsos do Partido em 2024.
  • ​A investigação revelou um esquema de corrupção sistêmica na aquisição de equipamentos militares, com relatos de mísseis preenchidos com água em vez de combustível e silos de lançamento cujas tampas não funcionavam adequadamente.

​O paradoxo do poder: Força ou Fragilidade?

​Especialistas em geopolítica divergem sobre o que esses eventos representam. Para alguns, a capacidade de Xi em remover figuras tão poderosas demonstra um controle total sobre o Estado. Para outros, como o analista Marcio Coimbra, os expurgos revelam as “fissuras profundas” de um regime corroído pela insegurança crônica.

​”Xi Jinping está sacrificando a expertise técnica em favor da lealdade ideológica cega”, afirmam observadores. Enquanto a China projeta um poderio militar crescente — com a meta de ultrapassar mil ogivas nucleares até 2030 —, internamente o clima é de paralisia burocrática e medo. Os oficiais agora evitam tomar iniciativas estratégicas, temendo ser o próximo alvo da “limpeza” partidária.

​O que esperar de 2026

​Em pronunciamento recente durante a Festa da Primavera, Xi Jinping reiterou que a campanha anticorrupção manterá “pressão elevada” ao longo de 2026. Com a cúpula da Comissão Militar Central praticamente desmantelada e reconstruída à sua imagem, o líder chinês entra em um novo ciclo de poder onde a lealdade ao “Pensamento de Xi Jinping” é o único seguro de vida para o alto escalão militar.

​O impacto dessas mudanças na prontidão de combate da China e em suas ambições em relação a Taiwan permanece sob monitoramento rigoroso do Pentágono e de aliados asiáticos, que veem na instabilidade interna do ELP tanto um risco de erro de cálculo quanto uma possível fragilidade operacional.

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