O Carnaval do Rio de Janeiro em 2026 reafirmou sua vocação política e cultural na primeira noite de desfiles do Grupo Especial. A Estação Primeira de Mangueira encerrou a madrugada desta segunda-feira (16) com um desfile tecnicamente impecável, enquanto a estreante Acadêmicos de Niterói gerou a maior polêmica da noite ao levar a trajetória do presidente Lula para a avenida, acompanhada de críticas diretas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
O deboche da Mangueira e a “Amazônia Negra”
A Verde e Rosa levou para a Sapucaí o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra”. Além de exaltar a ancestralidade e a medicina tradicional do Amapá, a escola não poupou sátiras políticas.
Em uma das alas mais comentadas, a agremiação utilizou o deboche para criticar o ex-presidente Bolsonaro, inserindo elementos que remetiam ao isolacionismo e a polêmicas de seu governo, contrastando com a exaltação da ciência e da preservação ambiental simbolizadas por Sacaca. A escola finalizou seu cortejo sob a luz do dia, sendo ovacionada como uma das favoritas ao título.
Niterói: Homenagem a Lula e o “Bozo” na Avenida
Abrindo os desfiles, a Acadêmicos de Niterói apresentou “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O desfile contou com a presença do próprio presidente Lula, da primeira-dama Janja, e do vice Geraldo Alckmin no camarote da prefeitura.
- Destaques do Desfile: A escola narrou a vida de Lula desde o sertão de Garanhuns até o Palácio do Planalto.
- Críticas Políticas: O ponto alto da controvérsia foi a representação de um palhaço remetendo a “Bozo” (apelido pejorativo dado a Bolsonaro) e alas que simulavam o ex-presidente preso.
- Reação da Oposição: O senador Flávio Bolsonaro já anunciou que pretende acionar o TSE, alegando propaganda eleitoral antecipada em pleno Sambódromo.
A Camaleônica Imperatriz e a Portela Ancestral
Antes da Mangueira, a Imperatriz Leopoldinense transformou a Sapucaí em um palco de concerto para homenagear Ney Matogrosso. Com o enredo “Camaleônico”, a escola de Ramos revisitou os tempos de Secos & Molhados e a carreira solo do artista, que desfilou no último carro, sendo reverenciado por sua liberdade estética e coragem.
Já a Portela mergulhou na espiritualidade com “O Mistério do Príncipe do Bará”, resgatando a história da negritude no Rio Grande do Sul e a força das tradições de matriz africana, mantendo a elegância da Majestade do Samba em um desfile visualmente impactante.
Nota do Jornalista: A polarização política que domina o país encontrou na Sapucaí um novo campo de batalha, onde o “brilho da esperança” de uns é o “uso indevido da máquina” para outros. O resultado da apuração, na quarta-feira de cinzas, dirá se o viés político pesou mais do que a técnica.




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