BRASÍLIA – O cenário para a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro tornou-se mais complexo nesta semana após a divulgação do laudo oficial da junta médica da Polícia Federal (PF). O documento, solicitado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, concluiu que, embora o ex-mandatário apresente um quadro de saúde delicado, a estrutura da chamada “Papudinha” — a ala de segurança especial onde está custodiado — é plenamente capaz de oferecer os cuidados necessários.
A decisão representa um balde de água fria na estratégia da defesa, que protocolou novos pedidos de prisão domiciliar alegando agravamento de sintomas, como episódios de vômitos e soluços persistentes.
Os detalhes do laudo médico
A perícia técnica confirmou que Bolsonaro possui sete doenças crônicas, mas ressaltou que nenhuma delas exige, no momento, internação hospitalar ou tratamento que não possa ser realizado na unidade prisional. Entre as condições listadas estão:
- Hipertensão arterial sistêmica e aterosclerose;
- Apneia do sono grave e obesidade clínica;
- Aderências intra-abdominais (consequência da facada de 2018);
- Refluxo gastroesofágico e lesões cutâneas.
Os peritos também identificaram “alterações neurológicas” leves, sugerindo um quadro de desequilíbrio ao caminhar, mas recomendaram apenas adaptações físicas na cela, como a instalação de grades de apoio no banheiro e campainhas de emergência.
A queda de braço política
Aliados políticos e familiares do ex-presidente elevaram o tom contra o STF. O argumento central é de natureza política e de imagem: interlocutores do PL afirmam que o “ônus político” de qualquer intercorrência grave de saúde ou mesmo um óbito sob custódia recairia diretamente sobre o ministro Alexandre de Moraes.
”A manutenção da prisão em um ambiente carcerário, mesmo com adaptações, é um risco desnecessário que o Tribunal está correndo”, afirmou um parlamentar próximo à família.
Por outro lado, o relatório da PF detalha que Bolsonaro tem acesso a uma estrutura robusta, que inclui equipe de saúde 24 horas, dieta fracionada preparada por familiares e área para atividades físicas aeróbicas.
Próximos passos jurídicos
Com o laudo em mãos, o ministro Moraes abriu um prazo de cinco dias para que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a defesa se manifestem. A expectativa é que o caso seja pautado na Primeira Turma do STF ainda em fevereiro.
A defesa já sinalizou que insistirá na tese humanitária, comparando o caso de Bolsonaro ao de outros ex-políticos que obtiveram o benefício da domiciliar por questões de idade e saúde. No entanto, fontes do Judiciário indicam que a conclusão técnica da PF “esvaziou” os argumentos jurídicos para uma saída imediata da prisão.




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