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POLÍCIA Federal encontra mensagens de Toffoli em celular de Vorcaro e pede suspeição do ministro

POLÍCIA Federal encontra mensagens de Toffoli em celular de Vorcaro e pede suspeição do ministro

BRASÍLIA – A Polícia Federal (PF) entregou nesta quarta-feira (11) ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório bombástico contendo informações extraídas do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O material, que inclui trocas de mensagens e menções diretas ao ministro Dias Toffoli, relator do inquérito que investiga fraudes bilionárias na instituição financeira, provocou um pedido imediato de suspeição do magistrado pela cúpula da corporação.

​Os dados foram coletados após a perícia técnica conseguir quebrar a criptografia do aparelho de Vorcaro, um iPhone 17 Pro Max, e acessar inclusive históricos arquivados na nuvem que remontam a 2021. Diante do conflito ético e jurídico — já que o material envolve o próprio juiz da causa —, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, optou por entregar o relatório pessoalmente ao presidente do STF, Edson Fachin, em vez de enviá-lo ao gabinete do relator.

​Entenda o Caso

​A investigação, batizada de Operação Compliance Zero, apura um suposto esquema de fraudes financeiras que pode chegar a R$ 17 bilhões. O foco está na gestão temerária de fundos de investimento e na tentativa de venda de ativos fraudulentos para o Banco de Brasília (BRB).

​A pressão sobre Toffoli aumentou consideravelmente nos últimos dias devido a dois fatores principais:

  1. Conexões Pessoais: Veio à tona que parentes do ministro possuem participações societárias em empresas ligadas ao resort Tayayá, que por sua vez tem conexões financeiras com o grupo de Vorcaro.
  2. Mensagens Diretas: A perícia da PF identificou uma continuidade de comunicações entre o banqueiro e o magistrado ao longo dos últimos cinco anos, o que, para os investigadores, compromete a imparcialidade necessária para julgar o caso.

​Reações e Defesa

​Em nota oficial, o gabinete do ministro Dias Toffoli reagiu duramente ao pedido de suspeição. O texto classifica as menções como “ilações” e argumenta que a Polícia Federal não possui legitimidade jurídica para pedir o afastamento de um magistrado, uma vez que não é parte formal no processo conforme o Código de Processo Civil. Toffoli deve encaminhar sua resposta formal ao ministro Fachin nos próximos dias.

​Por outro lado, a defesa de Daniel Vorcaro afirma que o empresário tem colaborado com as autoridades e critica o acesso aos dados do celular, alegando risco de exposição de relações privadas sem conexão com o inquérito.

​O que acontece agora?

​O destino da relatoria do “Caso Master” está nas mãos do ministro Edson Fachin. Ele precisará decidir se as provas apresentadas pela PF justificam o afastamento de Toffoli por suspeição ou se o inquérito deve ser desmembrado, enviando partes da investigação para a primeira instância da Justiça Federal, o que poderia reduzir o foro privilegiado de alguns envolvidos.

​O avanço das perícias também gerou apreensão no Congresso Nacional, pois os investigadores indicam que o celular de Vorcaro contém referências a diversas lideranças partidárias e autoridades de Brasília, sugerindo que o alcance da operação pode ser ainda maior que o inicialmente previsto.

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