PRESIDENTE da Unafisco depõe à PF como investigado após críticas ao ministro Alexandre de Moraes
BRASÍLIA – O presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kleber Cabral, prestou depoimento à Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (20), na condição de investigado. A oitiva, realizada de forma remota por videoconferência, foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito do Inquérito das Fake News.
A convocação de Cabral ocorreu após o dirigente conceder entrevistas à imprensa criticando uma operação da PF deflagrada na última terça-feira (17). Na ocasião, quatro servidores da Receita Federal foram alvos de buscas e medidas cautelares sob a suspeita de acessarem indevidamente dados fiscais sigilosos de ministros do STF e de seus familiares. Entre as críticas, o presidente da Unafisco afirmou que os auditores fiscais teriam hoje “mais receio de investigar criminosos do PCC do que integrantes do STF”, sugerindo um ambiente de intimidação institucional.
O contexto das críticas e a reação do STF
Kleber Cabral e o vice-presidente da entidade, Mauro Silva, vêm classificando as medidas impostas por Moraes — que incluem o uso de tornozeleira eletrônica e o cancelamento de passaportes de servidores — como “desproporcionais” e “exageradas”. Segundo a Unafisco, a maioria dos casos investigados trata-se de “acesso imotivado” (bisbilhotagem interna) e não necessariamente de vazamento de dados para terceiros.
A defesa da categoria argumenta que a Receita Federal possui sistemas rastreáveis e que qualquer desvio deve ser apurado sem “espetacularização”. A entidade também relembrou episódios de 2019, quando auditores foram afastados sob suspeitas semelhantes que, posteriormente, não foram comprovadas, resultando na reintegração dos servidores.
Repercussão e denúncias de abuso
A decisão de Moraes de intimar um líder sindical por suas declarações públicas gerou forte reação de entidades internacionais e da oposição no Congresso. A ONG Transparência Internacional classificou a medida como um “autoritarismo estarrecedor” e um caso de “intimidação oficial”, afirmando que a ação cria um “efeito dissuasório” sobre agentes da lei que ousam investigar ou criticar autoridades de cúpula.
No cenário político, parlamentares da oposição criticaram o uso do Inquérito das Fake News para constranger críticas institucionais, alegando que a liberdade de expressão e a imunidade da representação sindical estariam sendo violadas.
Próximos passos
O teor do depoimento de Kleber Cabral permanece sob sigilo de Justiça. Enquanto isso, a auditoria interna da Receita Federal segue em curso para identificar a extensão dos acessos aos dados dos ministros. O ministro Alexandre de Moraes mantém as medidas cautelares contra os servidores investigados, sob o argumento de que a proteção ao sigilo fiscal e a integridade dos membros da Suprema Corte são fundamentais para a estabilidade democrática.

































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