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PROMOTOR italiano classifica cidadania de Zambelli como “de fachada” em reta final de julgamento de extradição

PROMOTOR italiano classifica cidadania de Zambelli como “de fachada” em reta final de julgamento de extradição

​A Justiça da Itália concluiu, nesta quinta-feira (12), as audiências do processo de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP). Durante a sessão na Corte de Apelação de Roma, o Ministério Público italiano reforçou sua posição favorável ao envio da brasileira de volta ao país, utilizando um argumento contundente: o promotor responsável pelo caso classificou a cidadania italiana de Zambelli como sendo apenas “de fachada”, sem vínculo substancial com o país europeu.

​A declaração do promotor ataca diretamente a principal tese da defesa. Desde que deixou o Brasil em junho de 2025, após ser condenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), Zambelli afirmava estar “intocável” na Itália por possuir dupla nacionalidade. Segundo a promotoria, a cidadania formal não deve servir de escudo jurídico para evitar o cumprimento de penas por crimes cometidos em solo estrangeiro, especialmente quando o Tratado de Extradição entre Brasil e Itália prevê a cooperação mútua.

O impasse jurídico e os próximos passos

​A defesa de Carla Zambelli, representada por advogados italianos e brasileiros, contestou a fala do promotor, alegando que o reconhecimento da cidadania jus sanguinis (por direito de sangue) garante plena condição jurídica ao cidadão, independentemente de sua residência ou vínculos cotidianos. Os advogados também sustentam que a ex-parlamentar sofre “perseguição política” no Brasil e que sua saúde é frágil, necessitando de cuidados que, segundo eles, não seriam garantidos no sistema prisional brasileiro.

​A ex-deputada está detida na Penitenciária Feminina de Rebibbia, em Roma, desde julho de 2025. Recentemente, ela sofreu uma derrota processual quando a justiça italiana negou o pedido para trocar o colegiado de juízes que analisa o caso.

As condenações no Brasil

​O pedido de extradição baseia-se em duas condenações principais no STF:

  1. Invasão de sistemas do CNJ: Pena de 10 anos de prisão por associação com o hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos falsos no sistema do Conselho Nacional de Justiça.
  2. Porte ilegal de arma e constrangimento ilegal: Pena de mais de 5 anos de prisão pelo episódio ocorrido às vésperas das eleições de 2022, no qual Zambelli perseguiu um homem com arma em punho em São Paulo.

Expectativa de decisão

​A Corte de Apelação de Roma informou que a decisão final sobre o pedido de extradição deve ser publicada em até cinco dias úteis (previsão para a próxima semana). Caso a extradição seja autorizada, a defesa ainda poderá recorrer à Corte de Cassação, a instância máxima da Itália. Se todas as etapas judiciais confirmarem o envio, a palavra final caberá ao Ministério da Justiça italiano, sob o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni.

​Se retornar ao Brasil, Zambelli deverá cumprir pena na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.

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