Vaticano era visto como alvo geoestratégico por ex-conselheiro de Trump e pelo financista; mensagens detalham plano de filme para expor a Igreja.
CIDADE DO VATICANO – Novos documentos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos revelam uma aliança surpreendente e sombria entre o ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon, e o falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein. As mensagens, datadas de 2019 e publicadas neste mês de fevereiro de 2026, mostram que a dupla planejava uma ofensiva direta contra o papa Francisco, a quem Bannon via como um obstáculo político à sua agenda nacionalista-populista.
O plano do “documentário de ataque”
De acordo com os registros, Bannon propôs a Epstein que ele fosse o produtor executivo de uma adaptação cinematográfica do livro “No Armário do Vaticano”, do jornalista francês Frédéric Martel. A obra aborda a cultura de segredo e a homossexualidade na Santa Sé.
- A frase de impacto: Em uma mensagem de junho de 2019, Bannon foi direto ao ponto: “Vai derrubar Francisco”, escreveu ele, colocando o pontífice no mesmo patamar de rivais geopolíticos como os Clinton, Xi Jinping e a União Europeia.
- A resposta de Epstein: Embora os documentos mostrem que Epstein compartilhava artigos críticos ao papa e mantinha interesse no projeto, o filme nunca saiu do papel. Epstein morreu na prisão em agosto de 2019.
Por que o papa Francisco?
Para Bannon, o pontífice — que faleceu em 2025 — representava o contraponto perfeito ao “Trumpismo”. A defesa enfática de Francisco aos migrantes, suas críticas ao nacionalismo exacerbado e sua abertura a questões ambientais e sociais eram vistas por Bannon como uma ameaça à coalizão conservadora global que ele tentava construir.
”A escolha é fácil”, respondeu Bannon a um artigo enviado por Epstein que perguntava se os católicos deveriam escolher entre o papa ou o estrategista político.
Desdobramentos recentes
O impacto dessas revelações em 2026 tem sido profundo. O autor do livro, Frédéric Martel, confirmou recentemente a veículos internacionais que se reuniu com Bannon em Paris, mas negou qualquer envolvimento financeiro ou contratual com ele ou Epstein, afirmando que Bannon queria apenas “instrumentalizar” seu trabalho para fins políticos.
Dentro do Vaticano, o Monsenhor Antonio Spadaro comentou que as mensagens revelam uma tentativa de “transformar a fé em arma”, fundindo autoridade espiritual com poder político estratégico.
Até o momento, Steve Bannon, que enfrenta seus próprios desafios legais nos EUA, não comentou oficialmente o teor das novas mensagens.




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