Suprema Corte dos EUA impõe derrota a Trump e declara “tarifaço” ilegal

​A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, nesta sexta-feira (20 de fevereiro de 2026), que a política de tarifas amplas sobre importações implementada pelo presidente Donald Trump é ilegal. Por um placar de 6 votos a 3, os magistrados entenderam que o Executivo extrapolou sua autoridade ao utilizar uma lei de emergência de 1977 para impor taxas sem o aval explícito do Congresso.

​A decisão representa o maior revés jurídico e político do segundo mandato de Trump até agora, bloqueando uma ferramenta que o republicano considerava essencial para sua agenda de “América Primeiro”.

​O cerne da decisão

​A maioria da Corte, liderada pelo presidente do tribunal, John Roberts, concluiu que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não concede ao presidente o direito de criar tarifas de forma unilateral e ilimitada. Roberts foi enfático ao afirmar que “o presidente deve apresentar uma autorização clara do Congresso para justificar sua extraordinária pretensão de impor tarifas. Ele não pode fazer isso sozinho”.

​Acompanharam Roberts os três juízes da ala progressista e dois conservadores (Neil Gorsuch e Amy Coney Barrett). Os votos divergentes vieram dos ministros Clarence Thomas, Samuel Alito e Brett Kavanaugh.

​Impacto bilionário e reembolsos

​O impacto financeiro da sentença é imediato e massivo. Estima-se que o governo dos EUA possa ser obrigado a devolver cerca de US$ 175 bilhões (aproximadamente R$ 1 trilhão) a importadores que pagaram as taxas desde abril de 2025.

​Apenas entre os impostos recolhidos sob a lei agora invalidada, o Tesouro americano arrecadou mais de US$ 133 bilhões até o final do ano passado. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, afirmou que o governo pretende recorrer, mas admitiu que a gestão está preparada para cobrir eventuais reembolsos.

​Consequências para o Brasil e o mundo

​O Brasil, que foi alvo direto de sobretaxas de até 50% em diversos produtos em julho de 2025, deve ser um dos principais beneficiados. Embora o setor siderúrgico (aço e alumínio) não seja afetado por esta decisão específica — pois se baseia em outra legislação de segurança nacional —, produtos como mel, plásticos, borracha e material de transporte devem ter suas taxas revistas.

​O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou que o “efeito imediato é favorável” para a economia brasileira, sinalizando uma possível redução na pressão sobre as exportações nacionais para os EUA.

​Reação de Trump

​Em encontro com governadores na Casa Branca, Donald Trump classificou a decisão como “uma desgraça” e afirmou que a medida prejudicará a economia norte-americana, podendo fazer o déficit orçamentário explodir sem as receitas tarifárias. Fontes ligadas ao governo indicam que a equipe econômica já trabalha em um “plano B” para tentar restabelecer as proteções comerciais por outras vias legais.

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