Com a proximidade das articulações para o pleito de 2026 e o cenário de vácuo político deixado por figuras centrais da direita, o Partido Liberal (PL) definiu sua nova estratégia para manter a hegemonia em São Paulo: Renato Bolsonaro, irmão mais novo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Empresário e ex-capitão do Exército, Renato foi alçado pela cúpula nacional da legenda como o principal “puxador de votos” para a Câmara dos Deputados. A decisão, vocalizada diretamente pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, visa suprir a ausência de nomes que dominaram as urnas em 2022, como Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli, cujas participações no próximo pleito são incertas devido a questões jurídicas e deslocamentos políticos.
Estratégia e o “número de ouro”
Para consolidar a transferência de capital político, o partido planeja entregar a Renato o número 2222, o mesmo utilizado por Eduardo Bolsonaro em sua última eleição para deputado federal. O uso dessa identidade numérica é visto como peça-chave para o eleitorado mais fiel, garantindo a associação imediata ao “bolsonarismo raiz”.
Apesar do entusiasmo da cúpula, Renato carrega um histórico eleitoral de desafios. Em 2024, ele disputou a prefeitura de Registro, no Vale do Ribeira, mas acabou derrotado, ficando com cerca de 30% dos votos válidos. Mesmo assim, o PL acredita que o sobrenome, aliado a uma campanha nacionalizada e focada em pautas de costumes e anistia, será suficiente para garantir uma votação expressiva no maior colégio eleitoral do país.
Novidades e bastidores
Recentemente, o nome de Renato Bolsonaro voltou aos holofotes por motivos que misturam política e sorte. Ele relatou ter acertado a quadra na última Mega da Virada em um bolão organizado com o irmão, Jair Bolsonaro, mas denunciou que o prêmio já havia sido sacado indevidamente por terceiros em uma lotérica no interior paulista.
No campo político, Renato tem atuado como porta-voz da família em eventos de rua. Durante os atos de 7 de Setembro na Avenida Paulista, foi apresentado por Valdemar como uma das faces da renovação da legenda. Além disso, ele tem defendido publicamente a tese de que a direita não deve apoiar nenhum candidato à presidência em 2026 caso Jair Bolsonaro permaneça inelegível, sinalizando uma postura de confronto e lealdade absoluta ao irmão.
Desafios internos
A aposta em Renato, no entanto, não é isenta de ruídos internos. Grupos ligados a novos influenciadores da direita, como o vereador Lucas Pavanato (PL-SP) — o mais votado da capital em 2024 —, também buscam espaço e recursos do fundo partidário para a corrida federal. O desafio de Valdemar será equilibrar o “sangue da família” com as novas forças digitais que emergem no estado, tentando evitar que a dispersão de votos prejudique a meta do PL de eleger a maior bancada de São Paulo.




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