Alexandre de Moraes determina nova prisão de Rodrigo Bacellar por obstrução de justiça

​A Polícia Federal (PF) prendeu novamente, na tarde desta sexta-feira (27), o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil). O mandado de prisão preventiva foi expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumprido em Teresópolis, na Região Serrana do Rio, onde o político residia.

​A decisão de Moraes fundamenta-se em novos desdobramentos de investigações que apontam Bacellar como peça-chave em um esquema de obstrução de justiça. Segundo a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na última semana, o ex-deputado teria vazado informações sigilosas de operações policiais para beneficiar o ex-deputado Thiago dos Santos Silva, conhecido como “TH Joias”, apontado como aliado da facção criminosa Comando Vermelho.

​Perda de foro e novas provas

​O cerco contra Bacellar apertou após uma semana decisiva para sua carreira política:

  • Cassação de mandato: Na última terça-feira (24), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou o mandato de Bacellar por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Com a perda do cargo, ele perdeu também a proteção da Alerj, que havia revogado sua prisão anterior em dezembro de 2025.
  • Ações na “ADPF das Favelas”: A nova ordem de prisão ocorreu no âmbito da ADPF 635, que investiga a atuação de grupos criminosos e a segurança pública no Rio.
  • Vazamento de dados: A investigação da PF indicou que Bacellar orientou “TH Joias” a destruir provas e trocar de celular momentos antes de uma operação policial, sendo o ex-presidente da Alerj o primeiro contato salvo no novo aparelho do investigado.

​O que diz a defesa

​Os advogados Daniel Bialski e Roberto Podval, que representam Rodrigo Bacellar, classificaram a nova prisão como “indevida e desnecessária”. Em nota, a defesa afirmou que o cliente vinha cumprindo rigorosamente todas as medidas cautelares impostas anteriormente e que irá recorrer da decisão para que a detenção seja revogada o quanto antes.

​O ex-parlamentar foi encaminhado à Superintendência da Polícia Federal, no Centro do Rio, e deve ser transferido para o sistema prisional do estado nas próximas horas. A Assembleia Legislativa já iniciou os trâmites para a retotalização de votos e ocupação definitiva da cadeira deixada por Bacellar.

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