A corrida pela sucessão do governador Ratinho Junior (PSD) atingiu um novo patamar de tensão nesta terça-feira (31). O estopim foi a divulgação de uma carta assinada por 183 prefeitos paranaenses manifestando apoio explícito à candidatura do presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), Alexandre Curi, ao Palácio Iguaçu em 2026. A movimentação gerou uma reação imediata e ríspida por parte da ala ligada ao secretário das Cidades, Guto Silva, expondo as rachaduras na base governista.
De acordo com informações de bastidores e publicações regionais, um assessor direto de Guto Silva teria utilizado grupos de mensagens e contatos diretos para “repreender” prefeitos que assinaram o documento. O tom da crítica girou em torno de uma suposta “precipitação” e “falta de lealdade” ao cronograma estabelecido pelo governador Ratinho Junior, que tenta equilibrar as ambições de seus principais aliados enquanto projeta sua própria candidatura à Presidência da República.
A Força de Curi e o “Plano B”
O manifesto dos 183 prefeitos — quase metade dos municípios do estado — é uma demonstração de força sem precedentes de Alexandre Curi. O deputado, conhecido por sua capilaridade política e por ser o “principal articulador” junto aos municípios, tem sinalizado que sua candidatura é irreversível. Recentemente, Curi chegou a admitir a possibilidade de deixar o PSD caso não seja o escolhido do grupo, tendo convites abertos de partidos como o Republicanos.
Para os prefeitos signatários, o apoio a Curi representa a garantia de continuidade de investimentos diretos, dada a proximidade do deputado com as bases. “O Paraná não pode perder o ritmo”, afirmou Curi em eventos recentes, reforçando seu papel de “atacante” do governo.
O Contra-ataque de Guto Silva
Por outro lado, Guto Silva, que ocupa a estratégica Secretaria das Cidades, é visto por muitos como o “nome de confiança” técnica de Ratinho Junior. Sua pasta é responsável pela liberação de verbas para obras urbanas, o que lhe confere um enorme poder de barganha. A reação de sua assessoria ao manifesto é lida como uma tentativa de estancar uma “debandada” precoce em favor de Curi.
Aliados de Guto argumentam que a escolha do sucessor deve passar exclusivamente pelo crivo do governador e que pressões externas, como o manifesto dos prefeitos, são “formas de coerção política” que desrespeitam a hierarquia do grupo.
Cenário Incerto e Novos Personagens
Enquanto Curi e Silva duelam pelo favoritismo, outros nomes orbitam a sucessão. O prefeito de Curitiba, Rafael Greca, e até o nome de Eduardo Pimentel (atual vice-prefeito da capital e apontado em alguns círculos como uma possível “via de consenso”) mantêm o cenário de 2026 em aberto.
O governador Ratinho Junior, por sua vez, tem evitado declarações públicas que favoreçam um lado específico, focando na agenda nacional. No entanto, o prazo para desincompatibilização de secretários que pretendem disputar o pleito se aproxima (início de abril), o que deve forçar uma definição ou, no mínimo, uma trégua temporária entre as frentes em conflito.
A crise aberta pelo manifesto deixa claro que, embora a base seja ampla, a unidade para 2026 está longe de ser garantida, e o tom das cobranças internas promete subir à medida que o calendário eleitoral avança.




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