A sólida base de apoio ao governador Ratinho Junior (PSD) na Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) enfrenta, em 2026, um cenário de fragmentação política e o peso de questionamentos jurídicos acumulados. Enquanto o governo tenta consolidar sua sucessão, parlamentares que sustentaram projetos polêmicos — como a privatização da Copel e a terceirização da gestão escolar — tornam-se alvos de críticas por supostas omissões e envolvimento em irregularidades.
O custo político do apoio incondicional
A atuação dos deputados governistas é marcada pela aprovação célere de projetos estruturantes, muitas vezes sob regime de urgência, o que gera acusações de falta de debate democrático. Entre as principais “falhas” apontadas por órgãos de controle e movimentos sociais, destacam-se:
- Terceirização da Educação (Parceiro da Escola): A base aprovou o repasse da gestão de centenas de escolas estaduais para empresas privadas. Críticos e sindicatos apontam que os deputados ignoraram riscos de precarização do ensino e permitiram o uso de mais de R$ 1,6 bilhão do fundo público para lucros empresariais.
- Privatização da Copel: A venda da estatal foi concluída com apoio massivo da ALEP, mas parlamentares da oposição levaram denúncias à CVM (Comissão de Valores Mobiliários), alegando irregularidades no processo de precificação e rapidez excessiva na tramitação legislativa.
- Adoecimento e Pressão sobre Servidores: Deputados governistas são acusados de omissão diante de denúncias de assédio moral e pressão por metas em plataformas digitais na rede estadual, o que teria levado a um aumento expressivo de licenças médicas entre educadores.
Fantasmas do passado e novas investigações
Embora muitos casos ainda tramitem na justiça, nomes influentes da base aliada têm seus nomes vinculados a escândalos de corrupção que voltaram à tona com novas decisões judiciais:
| Operação / Caso | Envolvidos Citados (Base/Aliados) | Status Atual (2025-2026) |
| Quadro Negro | Plauto Miró, Valdir Rossoni, Ademar Traiano | Processos reativados por recursos do MPPR; denúncias de propina em obras de escolas. |
| Caso Master | Base Governista / Articulação Política | Suspeitas de irregularidades em contratos sem licitação para gestão de dados e serviços. |
| Operação Publicano | Parlamentares da base em gestões anteriores | Continuidade de julgamentos sobre fraudes na Receita Estadual. |
Recentemente, o presidente da ALEP, Alexandre Curi, e o líder do governo, Hussein Bakri, têm lidado com uma “debandada” técnica. Com a janela partidária e as definições para as eleições de 2026, deputados que antes apoiavam o governo de forma irrestrita começam a se distanciar para evitar o desgaste político associado a pautas impopulares e investigações de órgãos como o Gaeco.
Nota do Redator: A justiça paranaense e o Tribunal de Contas (TCE-PR) intensificaram a fiscalização sobre as subcontratações sem licitação em programas como o “Olho Vivo”, que monitora dados de veículos, colocando novos parlamentares sob a lupa de possíveis crimes de responsabilidade e improbidade administrativa.
Desafios para a base aliada
O principal desafio desses parlamentares agora é equilibrar a fidelidade ao Palácio Iguaçu com a pressão das bases eleitorais. A oposição, liderada por nomes como Arilson Chiorato e Requião Filho, tem utilizado as redes sociais para listar nominalmente os deputados que votaram a favor de medidas consideradas prejudiciais ao patrimônio público.




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