A agricultura de Santa Catarina está em estado de atenção após a confirmação do primeiro foco de Amaranthus palmeri, popularmente conhecido como caruru-gigante, no município de Campo Erê, no Oeste catarinense. A descoberta, validada laboratorialmente em março de 2026, mobilizou equipes da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) e acendeu um sinal vermelho para as cadeias produtivas de soja e milho, que podem sofrer perdas de até 90% se a praga se espalhar.
Considerada a planta daninha mais agressiva do mundo, o caruru-gigante possui uma capacidade de crescimento extraordinária, podendo atingir até 3 centímetros por dia. Além da rapidez, a espécie preocupa pela alta resistência aos principais herbicidas utilizados no Brasil, como o glifosato, e pela produção massiva de sementes — uma única planta pode gerar mais de 1 milhão de sementes, que permanecem viáveis no solo por vários anos.
Medidas de contenção e protocolos sanitários
Imediatamente após a identificação em uma propriedade rural, a Cidasc aplicou os protocolos do Programa Nacional de Prevenção e Controle do Amaranthus palmeri. As ações incluem:
- Interdição da área: A propriedade onde o foco foi encontrado está sob restrição.
- Erradicação manual: As plantas identificadas foram eliminadas para evitar a dispersão de novas sementes.
- Varredura regional: Engenheiros agrônomos realizam levantamentos em propriedades vizinhas para delimitar o alcance da infestação.
A presidente da Cidasc, Celles Regina de Matos, ressaltou que a atuação célere é fundamental para proteger o agronegócio estadual. “O nosso trabalho é estratégico para conter essa praga quarentenária e evitar que ela se estabeleça nas principais regiões produtoras”, afirmou.
Riscos e orientações ao produtor
A principal via de disseminação da praga é o trânsito de máquinas e implementos agrícolas contaminados. Como as sementes são minúsculas, elas se alojam facilmente em colheitadeiras e pneus, sendo transportadas entre propriedades e até entre estados — a planta já foi detectada anteriormente em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Especialistas orientam que os produtores façam a limpeza rigorosa de máquinas antes de entrar em novas áreas, utilizem apenas sementes certificadas e monitorem constantemente as lavouras. Em caso de suspeita de plantas com crescimento anormal ou características distintas dos carurus comuns, a recomendação é não arrancar a planta por conta própria e comunicar imediatamente a unidade da Cidasc mais próxima.




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