Localizada em São Borja, no Rio Grande do Sul, a Coudelaria e Campo de Instrução de Rincão (CCIR) consolidou-se como o coração da produção equina das Forças Armadas. Conhecida como o “Arsenal de Guerra” de quatro patas, a fazenda centenária é a única unidade do gênero ainda em atividade no Brasil, sendo responsável por criar, treinar e distribuir animais que atendem desde o cerimonial da Presidência da República até missões de patrulhamento e cooperação internacional.
Produção de elite e alta tecnologia
Diferente do que o termo “centenária” possa sugerir, a Coudelaria de Rincão opera com o que há de mais moderno em biotecnologia. Recentemente, a unidade intensificou o uso de técnicas de transferência de embriões, utilizando éguas da raça Bretão como “barrigas de aluguel”. Essa estratégia permite que matrizes de alto desempenho genético (como as das raças Brasileiro de Hipismo e Holsteiner) produzam mais descendentes por temporada, acelerando o melhoramento do plantel.
Os números impressionam: anualmente, cerca de 150 a 170 cavalos são entregues prontos para o serviço. O ciclo de formação é rigoroso e dura cerca de quatro anos, passando pelo nascimento, recria e uma doma técnica conduzida por militares especializados.
Além das fronteiras: exportação e cooperação
O prestígio dos cavalos de Rincão rompeu as fronteiras nacionais. O Exército Brasileiro mantém acordos de cooperação e permuta com países vizinhos, como a Argentina, Paraguai e Uruguai. Em 2024 e com projeções para 2025, o intercâmbio de material genético e animais treinados fortalece a diplomacia militar na América do Sul, posicionando o Brasil como uma referência em equitação militar no continente.
Internamente, a produção não abastece apenas os Regimentos de Cavalaria Guardas (como os Dragões da Independência, em Brasília). A unidade também fornece animais para:
- Polícias Militares Estaduais: Recentemente, estados como o Rio Grande do Norte receberam lotes de éguas para recompor suas tropas montadas.
- Escolas de Formação: Animais são enviados para a AMAN (Academia Militar das Agulhas Negras) e para a Escola de Equitação do Exército (EsEqEx), no Rio de Janeiro.
- Desporto Militar: Cavalos formados em São Borja representam o Brasil em competições internacionais de hipismo e pentatlo moderno.
O futuro do “cavalo de guerra” na era digital
Apesar da mecanização das Forças Armadas e do uso crescente de drones e blindados (como o novo Centauro II), o cavalo mantém sua relevância estratégica. Em áreas de difícil acesso, como fronteiras pantanosas ou regiões de mata densa, o equino oferece uma mobilidade silenciosa e resiliente que nenhuma viatura consegue replicar.
Como afirmou o Comando Militar do Sul em atualizações recentes, a Coudelaria de Rincão não é apenas um patrimônio histórico, mas uma unidade de logística viva, essencial para a soberania e para a manutenção das tradições que forjaram a identidade do Exército Brasileiro.




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