As investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero revelaram que Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, recebeu aproximadamente R$ 485 milhões da empresa Super Empreendimentos. Segundo os investigadores, a companhia teria sido um dos principais dutos financeiros para sustentar uma estrutura de coerção e pagamentos ilícitos ligada ao antigo Banco Master.
O papel da Super Empreendimentos e a “Turma”
A quebra de sigilo bancário aponta que, somente em 2025, Zettel recebeu R$ 160 milhões por meio de 264 transferências mensais. A PF sustenta que a Super Empreendimentos não operava apenas no mercado imobiliário, mas servia como base para o financiamento de um grupo denominado “A Turma”.
Este núcleo é descrito pelo ministro do STF, André Mendonça, como uma espécie de milícia privada encarregada de:
- Monitorar e intimidar jornalistas, autoridades e adversários comerciais;
- Cooptar servidores públicos, incluindo funcionários do Banco Central, para obtenção de informações privilegiadas;
- Obstruir a justiça por meio de vigilância ilegal e pressão contra testemunhas.
Em uma das mensagens interceptadas pela PF, Vorcaro teria ordenado agressões físicas contra o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, demonstrando o nível de agressividade do grupo coordenado por seus operadores.
Prisões e a iminente delação premiada
Atualmente, tanto Daniel Vorcaro quanto Fabiano Zettel encontram-se detidos preventivamente. Na última semana, a Segunda Turma do STF manteve as prisões por unanimidade, embora o ministro Gilmar Mendes tenha criticado o que chamou de “frenesi midiático” em torno do caso.
O cenário político e jurídico entrou em alerta máximo nos últimos dias após a confirmação de que Vorcaro assinou um acordo de confidencialidade com a PF e a PGR. Este é o passo inicial para uma delação premiada que promete atingir integrantes dos Três Poderes. Entre os nomes mencionados em agendas e transações investigadas estão ex-ministros e familiares de magistrados de tribunais superiores.
Bloqueio bilionário e liquidação
O escândalo já resultou no bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens dos envolvidos. O Banco Central, que decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master em novembro de 2025, agora enfrenta inspeções do TCU para avaliar se houve omissão ou demora na intervenção, dado que as fraudes podem somar até R$ 12 bilhões.
A defesa de Fabiano Zettel afirma que as relações entre ele e a Super Empreendimentos eram estritamente comerciais e que o empresário está à disposição das autoridades para prestar esclarecimentos.




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