A política paranaense sofreu um abalo sísmico nesta quinta-feira (26), com a confirmação de uma saída em massa de lideranças do Partido Liberal (PL). O movimento, liderado pelo deputado federal e agora ex-presidente estadual da sigla, Fernando Giacobo, é uma reação direta à filiação do senador Sergio Moro ao partido e sua oficialização como pré-candidato ao Governo do Paraná com o apoio da família Bolsonaro.
O racha em números e motivos
Durante uma coletiva de imprensa realizada no Hotel San Juan, em Curitiba, Giacobo apresentou o tamanho da dissidência: dos 53 prefeitos que integravam o PL no estado, 48 confirmaram a desfiliação. O grupo alega que a cúpula nacional do partido, capitaneada por Valdemar Costa Neto e pelo senador Flávio Bolsonaro, quebrou acordos prévios que previam a manutenção da aliança com o atual governador Ratinho Junior (PSD).
”Esse acordo foi quebrado. Então, não fui eu que descumpri palavra”, declarou Giacobo, visivelmente contrariado com a mudança de rumo.
O deputado, que presidia o PL no Paraná há anos, não poupou críticas à figura de Moro, citando o histórico de desavenças entre o ex-juiz e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para as lideranças municipais, a chegada de Moro representa uma “imposição de Brasília” que ignora a realidade local e a lealdade ao projeto de Ratinho Junior.
Mudança no comando e o fator Flávio Bolsonaro
Com a saída de Giacobo, o diretório estadual do PL passou a ser comandado pelo deputado federal Filipe Barros, aliado de primeira hora da família Bolsonaro e entusiasta da chapa com Moro. A estratégia nacional parece ser o isolamento de Ratinho Junior após o governador ter recusado o convite para ser vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro.
Bastidores da crise:
- Acordo quebrado: Havia um entendimento de que o PL apoiaria o sucessor indicado por Ratinho Junior em troca do apoio do PSD à candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência.
- A “Birra” política: Interlocutores do governo estadual classificam a guinada do PL como uma retaliação política (ou “birra”) pela independência mantida por Ratinho Junior nas articulações nacionais.
- Palanque de Moro: Sergio Moro, por sua vez, já conta com o apoio do partido Novo e deve ter como companheiros de chapa nomes como Deltan Dallagnol, que também busca espaço na disputa majoritária.
Futuro dos prefeitos
Apesar da desfiliação coletiva, Fernando Giacobo afirmou que não haverá uma “migração obrigatória” para uma única legenda. A tendência natural é que a maioria siga para o PSD, consolidando a base de Ratinho Junior, ou para partidos aliados como o PP. O objetivo central é garantir que as estruturas municipais não fiquem atreladas à candidatura de Moro, a quem acusam de não possuir uma “pauta municipalista”.
Com o fim da janela partidária se aproximando (3 de abril), o cenário eleitoral no Paraná entra em uma fase de alta voltagem, transformando o estado em um dos principais campos de batalha entre o bolsonarismo “raiz” e o grupo político consolidado pelo Palácio Iguaçu.




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