Defesa de Lulinha admite viagem a Portugal paga pelo Careca do INSS
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu formalmente ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, custeou uma viagem sua a Portugal em novembro de 2024. O documento foi protocolado no gabinete do ministro André Mendonça na última segunda-feira (16).
Segundo os advogados de Lulinha, o convite partiu de Camilo Antunes para que ele visitasse uma fábrica de cannabis medicinal no país europeu. A defesa alega que, na época, o filho do presidente via o empresário apenas como um investidor de sucesso do ramo farmacêutico e que não tinha conhecimento de qualquer irregularidade envolvendo o INSS.
Contexto das investigações
Antônio Camilo Antunes é apontado pela Polícia Federal como o líder de um esquema de fraudes e desvios de recursos previdenciários, tendo sido preso em setembro de 2025 na Operação Sem Desconto. Investigadores da CPMI do INSS suspeitam que o empresário pudesse estar pagando uma “mesada” ao filho do presidente em troca de influência política.
A defesa nega veementemente o recebimento de valores:
- Viagem técnica: Os advogados sustentam que a viagem teve caráter exclusivamente informativo e que Lulinha não firmou parcerias ou investiu recursos no projeto de canabidiol.
- Desconhecimento de ilícitos: Afirmam que a imagem pública de Camilo só foi manchada após a deflagração da operação policial em abril de 2025, meses após o retorno de Portugal.
- Negativa de “mesada”: A defesa refuta depoimentos de ex-funcionários do empresário que citavam pagamentos regulares de R$ 300 mil a uma pessoa identificada como “filho do rapaz”.
Desdobramentos no STF e no Congresso
A admissão da viagem ocorre em um momento de tensão jurídica. Recentemente, a CPMI do INSS aprovou a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha, medida que foi suspensa temporariamente por uma liminar do ministro Flávio Dino.
O plenário da Suprema Corte deve decidir nos próximos dias se mantém o bloqueio ao acesso aos dados financeiros do empresário. Enquanto isso, a oposição na CPMI articula a prorrogação dos trabalhos da comissão, prevista para encerrar em 28 de março, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre os repasses do “Careca do INSS” e a relação esporádica agora admitida pela defesa de Lulinha.

































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