O governo dos Estados Unidos colocou em marcha uma estratégia bilionária para romper a hegemonia da China no mercado de minerais críticos, componentes essenciais para a fabricação de baterias de carros elétricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa. O chamado “Project Vault” (Projeto Cofre), anunciado com um fundo de US$ 12 bilhões, projeta o Brasil como o parceiro mais estratégico da América Latina, dada a posição do país como detentor das segundas maiores reservas mundiais de terras raras.
O “Cofre” Americano e o Investimento no Brasil
O Projeto Vault combina US$ 10 bilhões em financiamento do Export-Import Bank dos EUA (Exim Bank) com US$ 2 bilhões de capital privado. O objetivo é criar uma reserva física de minerais estratégicos — como lítio, cobalto, níquel e terras raras — para garantir o suprimento da indústria americana por até 60 dias em casos de emergência global ou bloqueios comerciais.
No Brasil, os efeitos já são práticos. Recentemente, a agência de financiamento americana (DFC) injetou US$ 565 milhões adicionais no projeto de terras raras da mineradora Serra Verde, em Goiás. Além disso, o governo dos EUA já mapeou mais de 50 projetos de mineração em solo brasileiro que podem receber aportes diretos, desde que cumpram critérios de transparência e não possuam participação acionária de entidades chinesas ou russas.
Tensões Diplomáticas e o “Atalho” por Goiás
A busca americana por esses recursos, no entanto, gerou um impasse diplomático na última semana. Diante da resistência do governo federal em assinar um acordo de exclusividade que pudesse estremecer as relações comerciais com a China, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, assinou de forma independente um memorando de entendimento com o governo dos EUA no dia 18 de março de 2026.
A iniciativa foi vista pelo Itamaraty como um gesto de “paradiplomacia” que pode ferir a Constituição, uma vez que a gestão de recursos minerais é competência exclusiva da União. Enquanto o governo federal estuda a judicialização do acordo estadual, autoridades americanas afirmam que buscaram o ente estadual após a falta de respostas céleres de Brasília.
O que está em jogo para o Brasil?
Para o Brasil, a disputa entre Washington e Pequim oferece tanto riscos quanto oportunidades únicas:
- Atração de Capital: O acesso aos US$ 12 bilhões do Project Vault pode acelerar dezenas de projetos de mineração que hoje carecem de infraestrutura.
- Agregação de Valor: O governo brasileiro tem condicionado as conversas à exigência de que o processamento desses minerais ocorra localmente, em vez de apenas exportar a matéria-prima bruta.
- Equilíbrio Geopolítico: O desafio é integrar a cadeia de suprimentos dos EUA sem perder o mercado da China, que atualmente é o maior parceiro comercial do agronegócio e da mineração brasileira.
A expectativa é que o tema domine a pauta da próxima reunião bilateral entre os presidentes Lula e Trump, prevista para ocorrer em Washington nas próximas semanas, onde o futuro da governança mineral na América Latina deverá ser selado.




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