A política paranaense vive um momento de forte ebulição nos bastidores. O deputado federal Fernando Giacobo, presidente estadual do PL, não compareceu à cerimônia de filiação do senador Sergio Moro à legenda, realizada nesta semana em Brasília. O gesto, interpretado como um sinal claro de insatisfação, veio acompanhado de ameaças de desfiliação, caso a cúpula nacional mantenha o atual desenho de alianças para as eleições de 2026.
O estopim da crise
O descontentamento de Giacobo reside na costura política liderada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O acordo estabelece que Moro — egresso do União Brasil — seja o candidato oficial do PL ao Governo do Paraná. Para Giacobo, esse movimento atropela as lideranças regionais e ignora o histórico de atritos entre o ex-juiz e o partido.
Vale lembrar que, em 2022, o próprio Giacobo foi um dos articuladores da ação judicial que pedia a cassação do mandato de Moro por suposto abuso de poder econômico. Na época, Moro chegou a rotular Giacobo e outros membros da sigla como “maus perdedores”. Agora, a imposição de Moro como cabeça de chapa é vista pelo diretório estadual como uma “intervenção branca”.
Tentativa de desfazer o compromisso
Fontes ligadas ao deputado afirmam que Giacobo tenta, em um último ato de resistência, convencer a ala ligada a Jair Bolsonaro de que a aliança com Moro é estrategicamente arriscada. O argumento é de que o apoio a Moro implode a relação histórica com o atual governador Ratinho Junior (PSD), que planeja voos nacionais e tem o controle de uma máquina pública poderosa no estado.
As principais novidades que movimentam os corredores do poder incluem:
- Ameaça de debandada: Giacobo sinalizou que pode levar consigo um grupo de prefeitos e deputados estaduais para outra sigla caso o PL não reveja o protagonismo dado a Moro.
- A “benção” de Flávio: Flávio Bolsonaro, que busca fortalecer palanques regionais para sua própria sobrevivência política e a de seu grupo, mantém-se firme no apoio ao senador paranaense, visando o eleitorado conservador que ainda vê em Moro uma figura de combate à corrupção.
- Pesquisas de intenção de voto: Dados recentes do Paraná Pesquisas mostram Moro liderando cenários para o governo estadual com até 47% das intenções de voto, o que fortalece a posição da cúpula nacional em mantê-lo no partido, independentemente das queixas locais.
A situação coloca o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, em uma encruzilhada: prestigiar o diretório paranaense, comandado por um aliado de longa data, ou apostar no potencial eleitoral de Moro sob a tutela da família Bolsonaro.




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