A disputa jurídica entre o empresário Luciano Hang, dono da rede varejista Havan, e a gigante de tecnologia Meta (controladora do Facebook e Instagram) atingiu um novo patamar de tensão nesta semana. Diante do que classifica como um “descumprimento sistemático” de ordens judiciais, a defesa de Hang protocolou pedidos severos na Justiça, incluindo a nomeação de um administrador judicial para intervir nas operações da plataforma no Brasil.
O conflito, que se arrasta desde o ano passado, fundamenta-se na proliferação de anúncios fraudulentos que utilizam a imagem e o nome de Luciano Hang para enganar consumidores. Segundo dados atualizados pela assessoria da Havan em março de 2026, já foram registrados mais de 600 descumprimentos de liminares que determinavam a remoção imediata desses conteúdos.
O “lucro” do descumprimento
Para Luciano Hang, a Meta tem sido negligente por questões financeiras. O empresário afirma que a multa acumulada, que já ultrapassa a marca de R$ 13 milhões, é irrisória perto do faturamento bilionário que a plataforma obtém com a veiculação de anúncios. “É simples: para eles, compensa não cumprir. O faturamento com anúncios é muito alto e a multa não faz diferença”, declarou Hang em nota oficial.
Os golpes utilizam tecnologias avançadas, como deepfakes criados por inteligência artificial, para simular a voz e o rosto do empresário oferecendo produtos com descontos irreais ou supostas doações. Em um caso recente registrado em Curitiba, um idoso quase entregou R$ 6 mil em dinheiro após acreditar em um falso investimento divulgado com a imagem de Hang. A fraude só foi interrompida porque a vítima buscou uma loja física para confirmar a transação.
Cerco judicial e medidas extremas
A Justiça de Santa Catarina já havia determinado que a Meta só permitisse anúncios com a marca Havan ou a imagem de Hang se fossem contratados por contas oficiais previamente listadas. Contudo, a ineficácia técnica da plataforma em filtrar esses conteúdos levou os advogados da varejista a solicitarem medidas mais drásticas:
- Administrador Judicial: A intervenção visaria garantir que a empresa cumpra as ordens de segurança digital.
- Aumento de Multas: Pedidos para elevar substancialmente os valores diários para que a punição deixe de ser apenas um “custo operacional” para a Big Tech.
O posicionamento da Meta
Em resposta às crescentes pressões no Brasil, a Meta publicou recentemente uma nota afirmando que está investindo em novas tecnologias de IA para detectar o cloaking — técnica usada por golpistas para contornar os sistemas de revisão. A empresa alega que golpes de “celeb-bait” (uso de celebridades como isca) são um desafio global e que está trabalhando para aprimorar seus métodos de avaliação de parcerias e anúncios patrocinados.
O desfecho deste caso é acompanhado de perto por especialistas em direito digital, pois pode estabelecer um precedente histórico sobre a responsabilidade das redes sociais na curadoria de conteúdos pagos e na proteção direta ao consumidor brasileiro.




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