BRASÍLIA – Em um movimento já antecipado pelos bastidores do poder, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou, nesta quinta-feira (19), Dario Durigan como o novo ministro da Fazenda. O anúncio ocorreu durante a abertura da 17ª Caravana Federativa, em São Paulo, oficializando a sucessão de Fernando Haddad, que deixa o cargo para se dedicar à pré-candidatura ao governo paulista nas eleições de 2026.
Ao apresentar o novo titular da principal pasta econômica, Lula foi direto: “Pode olhar para a cara dele, que é dele que vocês vão cobrar muitas coisas”. O presidente também rendeu elogios ao ministro que sai, classificando Haddad como o titular da Fazenda “mais exitoso da história” pela aprovação da reforma tributária após 40 anos de espera.
O perfil do “CEO da Fazenda”
Dario Durigan, de 41 anos, não é um estranho à engrenagem brasiliense. Advogado formado pela USP com mestrado pela UnB, ele ocupava a secretaria-executiva da pasta (o posto de “número 2”) desde junho de 2023. Nos bastidores, ele ganhou a fama de “CEO da Fazenda” por ser o operador técnico que faz o ministério funcionar, organizando fluxos e transformando decisões políticas em execução administrativa.
Sua trajetória mistura passagens estratégicas pelos setores público e privado:
- Setor Público: Foi assessor especial de Haddad na Prefeitura de São Paulo (2015-2016) e atuou na Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil no governo Dilma.
- Setor Privado: Antes de retornar ao governo a convite de Haddad, foi diretor de Políticas Públicas do WhatsApp na Meta (2020-2023), onde liderou diálogos complexos sobre regulação e combate à desinformação.
Desafios imediatos e continuidade
A nomeação de Durigan é vista pelo mercado como um sinal de continuidade. Ele foi o arquiteto operacional de vitórias importantes, como o novo arcabouço fiscal. Entretanto, sua estreia como ministro ocorre sob um “céu nublado” para as contas públicas.
Entre os desafios urgentes que o novo ministro terá de enfrentar estão:
- Equilíbrio Fiscal: A missão de conter a deterioração das contas públicas em um ano eleitoral de forte pressão por gastos.
- Inflação e Petróleo: A pressão nos preços dos combustíveis decorrente dos conflitos no Oriente Médio.
- Regulamentação Tributária: O envio e a negociação de projetos como o do Imposto Seletivo e o detalhamento da reforma sobre o consumo.
Diferente de Haddad, que focou na formulação de grandes reformas, a gestão de Durigan deve ser marcada pela execução rigorosa e pela blindagem técnica da economia, servindo como uma ponte de estabilidade até o fim do atual mandato presidencial.
Haddad rumo ao Palácio dos Bandeirantes
Fernando Haddad confirmou que sua saída faz parte de um plano estratégico para garantir um palanque competitivo para a esquerda no maior colégio eleitoral do país. O ex-ministro deve oficializar sua pré-candidatura em um evento ao lado de Lula, em São Bernardo do Campo, consolidando sua posição como o principal nome do governo federal para tentar desbancar a atual gestão estadual paulista.




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