Mercado financeiro entra em alerta com ultimato de Trump e ameaça do Irã sobre o Estreito de Ormuz

​O clima de apreensão que dominou o final de semana deve se traduzir em uma “segunda-feira turbulenta” para as bolsas de valores e para as commodities. O estopim da nova onda de incertezas foi o ultimato dado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que estabeleceu um prazo de 48 horas para que o Irã libere a navegação no Estreito de Ormuz. Caso o canal — por onde trafega 20% do petróleo mundial — permaneça bloqueado, Trump ameaçou “atacar e destruir completamente” a infraestrutura energética iraniana.

​Em resposta, o comando militar do Irã afirmou que qualquer violação de seu território resultará em retaliações contra instalações de energia, tecnologia e dessalinização dos EUA e de seus aliados na região, incluindo Israel.

​Petróleo e inflação: o centro da crise

​A cotação do barril de petróleo Brent, que já vinha operando acima de US$ 100 desde o início do conflito em fevereiro de 2026, apresenta forte pressão de alta. Analistas do mercado alertam que uma interrupção prolongada no Estreito de Ormuz pode levar o preço a patamares históricos, com projeções extremas citando a marca de US$ 180 por barril.

​Para tentar conter a disparada, o governo dos EUA anunciou no sábado (21) a suspensão temporária de sanções contra o petróleo iraniano até 19 de abril, visando injetar cerca de 140 milhões de barris no mercado. Apesar da medida, o temor de um “choque energético” global persiste.

​Impacto nos ativos financeiros

​O cenário de guerra já reflete nas decisões de política monetária:

  • Juros: Bancos Centrais de grandes economias (Fed, BCE e Banco da Inglaterra) sinalizaram a manutenção ou interrupção de cortes nas taxas de juros, justificando que o petróleo caro é o principal “combustível” para a inflação global em 2026.
  • Dólar e Ouro: A busca por segurança deve fortalecer o dólar frente a moedas emergentes e impulsionar o preço do ouro, que já acumula valorização recorde.
  • Criptoativos: O Bitcoin, frequentemente visto como “porto seguro”, apresentou queda de cerca de 20% desde o agravamento do conflito, operando na casa dos US$ 68 mil e frustrando investidores que esperavam resiliência do ativo digital em tempos de crise geopolítica.

​Especialistas da Agência Internacional de Energia (AIE) reforçam que “nenhum país ficará imune” aos efeitos dessa crise se o Estreito de Ormuz permanecer fechado, classificando a situação atual como potencialmente mais grave do que os choques do petróleo da década de 1970.

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