O Ministério Público de São Paulo (MPSP) ajuizou, nesta semana, uma ação civil pública por improbidade administrativa contra dois médicos do Hospital das Clínicas (HC) da Unicamp, em Campinas. Os profissionais Elinton Adami Chaim e seu filho, Felipe David Chaim, são acusados de liderar um esquema que privilegiava pacientes particulares e de convênios, permitindo que “furassem a fila” do Sistema Único de Saúde (SUS) para a realização de cirurgias bariátricas.
O funcionamento do esquema paralelo
De acordo com as investigações da Promotoria de Justiça de Campinas, o esquema operava por meio de uma empresa pertencente a Felipe Chaim. A empresa firmava contratos com prefeituras da região — como a de Indaiatuba — para realizar o preparo pré-operatório de pacientes que necessitavam de cirurgias de redução de estômago.
Após o atendimento na clínica particular, os pacientes eram encaminhados diretamente ao HC da Unicamp, onde Elinton Chaim, então chefe do ambulatório de cirurgia bariátrica, viabilizava “encaixes” na agenda do hospital público.
- Desvio de fluxo: Os pacientes da clínica particular ignoravam a fila oficial gerada pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (CROSS).
- Prejuízo à coletividade: Enquanto pacientes da empresa privada eram operados rapidamente, centenas de cidadãos que aguardavam regularmente pelo SUS permaneciam na fila sem previsão de atendimento.
Valores e sanções solicitadas
O promotor de Justiça Daniel Zulian, responsável pelo caso, estima que os acusados obtiveram um enriquecimento ilícito de aproximadamente R$ 1,4 milhão por meio dos contratos com as prefeituras, impulsionados pela facilidade de acesso ao hospital universitário.
Diante da gravidade dos fatos, o MP solicitou à Justiça:
- Bloqueio de bens: O congelamento de R$ 1,4 milhão para garantir o ressarcimento ao erário.
- Danos morais coletivos: Pagamento de R$ 432 mil pela perda de credibilidade gerada ao sistema público de saúde.
- Afastamento e Demissão: O desligamento imediato dos médicos de suas funções públicas na Unicamp.
- Cassação de direitos: Perda dos direitos políticos por até 14 anos.
Posicionamentos
Em nota, a defesa dos médicos afirmou que se manifestará apenas nos autos do processo, mas ressaltou que a empresa de Felipe Chaim presta serviços via licitação pública e que não haveria “atendimento preferencial” irregular na Unicamp.
A Unicamp, por sua vez, informou que colabora com as investigações e que mantém processos internos para apurar a conduta de seus servidores. O hospital reforçou que o acesso aos procedimentos deve seguir rigorosamente os protocolos da rede estadual de saúde.




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