O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de inclusão do senador e ex-juiz Sergio Moro (União Brasil-PR) no Inquérito 4.874, que investiga a existência e atuação de milícias digitais contra a democracia. A decisão atende a uma petição apresentada por parlamentares que acusam Moro de utilizar redes sociais e meios digitais para propagar desinformação e ataques às instituições.
A medida ocorre em um momento de crescente pressão jurídica sobre o ex-ministro da Justiça. Recentemente, a PGR já havia se manifestado pela reabertura de investigações sobre supostas interferências políticas na Polícia Federal em 2020, caso que teve origem em denúncias do próprio Moro ao deixar o governo Bolsonaro, mas que agora ganha novos contornos com o cruzamento de dados de outros inquéritos, como o da “Abin Paralela”.
Contexto e próximos passos
O pedido enviado ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, busca verificar se as condutas de Sergio Moro possuem conexão com a estrutura organizada de difusão de “fake news” e ataques ao Judiciário, objeto central das investigações conduzidas por Moraes.
Diferente de processos anteriores que focavam em atos isolados, a inclusão no Inquérito das Milícias Digitais sugere uma análise sobre o uso profissional de plataformas digitais para fins antidemocráticos. Cabe agora à PGR analisar o material e decidir se há elementos suficientes para oferecer denúncia ou se o pedido deve ser arquivado.
Reações e defesa
Sergio Moro tem negado veementemente qualquer participação em redes de desinformação. Em manifestações anteriores sobre casos correlatos, o senador afirmou que suas críticas às decisões do STF e ao governo federal estão protegidas pela imunidade parlamentar e pelo direito à liberdade de expressão, classificando as tentativas de investigá-lo como “perseguição política”.
A decisão de Moraes amplia o “cerco jurídico” em torno de figuras centrais da Operação Lava Jato e do governo anterior, sinalizando que a Corte manterá o rigor na apuração de crimes cometidos no ambiente virtual contra o Estado Democrático de Direito.




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