A movimentação política de Sérgio Moro nesta semana confirmou o que analistas de bastidores já previam: o senador redesenhou o tabuleiro eleitoral do Paraná e provocou um verdadeiro terremoto na direita paranaense. Ao oficializar sua filiação ao Partido Liberal (PL) na última terça-feira (24), Moro não apenas garantiu sua legenda para disputar o Governo do Estado em 2026, mas também selou uma reaproximação estratégica com o bolsonarismo, isolando o grupo político do atual governador Ratinho Junior (PSD).
O impacto imediato: a desistência de Ratinho Junior
O movimento de Moro foi o “xeque-mate” que forçou o governador Ratinho Junior a recuar de suas ambições presidenciais. Com Moro liderando as pesquisas de intenção de voto — chegando a 44% em levantamentos recentes do Paraná Pesquisas — e agora contando com o apoio oficial de Flávio Bolsonaro, o grupo palaciano viu sua hegemonia ameaçada.
Sem um sucessor natural com musculatura para enfrentar o ex-juiz da Lava Jato, Ratinho Junior anunciou que permanecerá no cargo até o fim do mandato, desistindo de concorrer ao Planalto ou ao Senado para tentar “estancar a sangria” e evitar a debandada de aliados para o palanque de Moro.
A nova configuração das chapas
A aliança entre Moro e o PL traz nomes de peso que prometem polarizar a disputa:
- Sérgio Moro (PL): Candidato ao Governo do Paraná.
- Deltan Dallagnol (Novo): Candidato ao Senado na mesma chapa (após filiação conjunta simbólica).
- Felipe Barros (PL): Também cotado para a disputa de uma das vagas ao Senado.
- Flávio Bolsonaro (PL): Principal fiador nacional da candidatura de Moro no estado, visando consolidar um palanque forte no Sul.
Implosão e debandada no PSD
A “implosão” citada por analistas refere-se à fragmentação da base governista. Figuras importantes como Rafael Greca (que migrou para o MDB) e Alexandre Curi (em negociações com o Republicanos) mostram que o PSD de Ratinho Junior perdeu o controle absoluto do centro-direita no estado. O governador agora corre contra o tempo para tentar convencer o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, a assumir a candidatura ao governo, embora Pimentel ainda resista à ideia de renunciar à prefeitura.
Nota do Editor: O cenário é de guerra aberta. A direita paranaense, antes unida sob o guarda-chuva de Ratinho Junior, agora está dividida entre a “continuidade administrativa” do PSD e o “resgate da Lava Jato” personificado por Moro e Dallagnol sob a bandeira de Valdemar Costa Neto.




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