O estado do Paraná consolidou-se em 2026 como o principal hub do mercado ilícito de tabaco no Brasil. De acordo com o levantamento mais recente do Fórum Nacional Contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNCP), divulgado nesta semana, cerca de 60% dos cigarros consumidos em território paranaense são de origem ilegal. O número é alarmante por representar quase o dobro da média nacional, que atualmente gira em torno de 31%.
Este índice é o maior registrado no estado desde 2021 e acende um alerta vermelho para as autoridades de segurança e economia. A posição geográfica estratégica do Paraná, com extensas fronteiras secas e fluviais com o Paraguai (de Guaíra a Foz do Iguaçu), é apontada por especialistas como o principal fator para a entrada massiva dessas mercadorias.
Impacto econômico e segurança pública
O mercado ilegal de cigarros não é apenas uma questão de saúde ou sonegação; ele é um motor financeiro para o crime organizado. Dados do FNCP indicam que:
- Prejuízo Bilionário: Em 2025, o mercado ilegal movimentou R$ 1,8 bilhão apenas no Paraná.
- Evasão Fiscal: O estado deixou de arrecadar cerca de R$ 660 milhões em ICMS devido ao contrabando.
- Conexão com o Crime: Segundo o presidente do FNCP, Edson Vismona, o lucro do cigarro financia a compra de armas e drogas por facções criminosas. Estima-se que 94% dos brasileiros já associam o cigarro ilegal diretamente ao fortalecimento da criminalidade.
Apreensões recordes em 2026
Apesar do alto índice de consumo, a repressão tem sido intensa. Somente nos primeiros meses de 2026, a Receita Federal e a Polícia Federal já apreenderam cerca de R$ 50 milhões em cigarros no estado, o que representa 41% do total nacional de apreensões no período.
A região de Foz do Iguaçu continua sendo o epicentro, concentrando mais de 50% das apreensões estaduais. No entanto, novas rotas têm sido identificadas em cidades como Altônia e Mercedes, onde operações conjuntas entre o BPFron (Batalhão de Polícia de Fronteira) e a Polícia Federal têm interceptado comboios semanalmente.
O fator preço
O principal atrativo para o consumidor final continua sendo a disparidade de preços. Enquanto a carga tributária sobre o cigarro legal no Brasil varia entre 70% e 90%, no Paraguai a média é de apenas 13%. Isso permite que o produto contrabandeado chegue às bancas com um valor até 40% menor que o legalizado, seduzindo principalmente as classes de menor poder aquisitivo.
”O Paraná é um estado estratégico e as organizações criminosas usam as mesmas rotas para diferentes ilícitos. Quando contemos o cigarro, impactamos toda a estrutura do crime”, afirma Edson Vismona.




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