Investigações da Polícia Federal e da CPI do Crime Organizado detalham a explosão patrimonial de Luiz Phillipi Mourão, apontado como braço operacional do ex-banqueiro Daniel Vorcaro no esquema do Banco Master.
Belo Horizonte – Documentos analisados pela Polícia Federal (PF) e enviados à CPI do Crime Organizado, no Senado, revelam uma evolução patrimonial vertiginosa de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido pelo codinome “Sicário”. Entre 2019 e 2024, o patrimônio declarado de Mourão saltou de R$ 1,2 milhão para cerca de R$ 12 milhões, um aumento de quatro vezes que coloca sob suspeita a origem de seus recursos.
O principal motor dessa riqueza é uma sofisticada coleção de nove relógios de luxo, avaliada em R$ 6,7 milhões. Entre as peças, destacam-se três exemplares da marca Richard Mille (somando R$ 4,2 milhões) — um deles sozinho avaliado em R$ 2 milhões —, além de modelos Patek Philippe e Rolex. A ostentação estende-se à garagem, com cinco veículos de alto padrão, incluindo modelos Land Rover, Audi Q8 e BMW, estimados em R$ 1,6 milhão.
O “Mensalão” do Sicário
De acordo com os relatórios da Operação Compliance Zero, Mourão não era apenas um colaborador casual, mas o líder de um grupo de intimidação que servia aos interesses de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Planilhas de contabilidade apreendidas indicam que ele recebia pagamentos fixos de R$ 1 milhão por mês por serviços ilícitos.
A PF estima que Mourão possa ter recebido, no total, ao menos R$ 24 milhões entre 2024 e 2025. Suas funções incluíam:
- Invasão de sistemas sigilosos da PF, MPF e até de órgãos internacionais como o FBI e Interpol.
- Monitoramento e ameaças a jornalistas e autoridades desafetas ao grupo.
- Uso de documentos falsos para remover conteúdos negativos sobre o Banco Master das redes sociais.
Desdobramentos e Morte sob Custódia
O caso ganhou contornos ainda mais dramáticos após a prisão de Mourão na terceira fase da operação. No início de março de 2026, ele morreu em um hospital de Belo Horizonte após um atentado contra a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência da PF em Minas Gerais.
A morte de “Sicário” não encerrou as investigações. Pelo contrário, intensificou a pressão sobre Daniel Vorcaro e outros envolvidos, como o empresário Fabiano Zettel. A CPI do Crime Organizado agora foca no rastreamento do fluxo financeiro que alimentava o padrão de vida incompatível de Mourão, buscando confirmar se os itens de luxo eram utilizados como método de lavagem de dinheiro ou pagamento de propinas para agentes públicos.
A defesa de Daniel Vorcaro nega categoricamente as acusações de intimidação e afirma que as mensagens interceptadas foram tiradas de contexto, reiterando confiança no devido processo legal.




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