A Polícia Federal (PF), em conjunto com a Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (19) a Operação Sine Macula para desarticular um esquema de desvio de mercadorias apreendidas no depósito da Receita em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná. A investigação teve um ponto de partida inusitado: o achado de dois iPhones novos e lacrados dentro de uma lixeira nas dependências do órgão.
O descarte dos aparelhos de alto valor em meio ao lixo comum levantou suspeitas imediatas de que itens estariam sendo ocultados temporariamente para serem retirados do depósito sem autorização. De acordo com a PF, os principais investigados são funcionários terceirizados que atuavam no local e teriam aproveitado o acesso facilitado ao estoque de apreensões para subtrair os eletrônicos.
Detalhes da Operação Sine Macula
O nome da operação, “Sine Macula”, vem do latim e significa “sem mancha”, uma referência direta ao objetivo das instituições de manter a integridade e a transparência na gestão dos bens públicos. Durante a manhã, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos.
As autoridades buscam agora determinar a extensão total do prejuízo e se outros itens, além dos iPhones encontrados, foram desviados anteriormente. Os envolvidos poderão responder pelo crime de peculato, que ocorre quando um funcionário (no caso, equiparado pelo exercício da função pública) se apropria ou desvia bens de que tem a posse em razão do cargo para proveito próprio ou alheio. A pena para esse tipo de crime pode chegar a 12 anos de reclusão, além de multa.
Contexto de fiscalização
A descoberta ocorre em um período de intensificação das fiscalizações na região. Recentemente, a Receita Federal em Ponta Grossa realizou grandes apreensões de eletrônicos vindos do exterior sem nota fiscal, incluindo cargas avaliadas em mais de R$ 1 milhão. O depósito da cidade é um dos pontos estratégicos para o armazenamento dessas mercadorias até que recebam a destinação legal, como leilões, doações ou destruição.
A Receita Federal reiterou, por meio de nota, que colabora integralmente com as investigações e que mantém protocolos rígidos de segurança, destacando que a própria vigilância interna foi o que permitiu identificar a irregularidade na lixeira e dar início ao processo criminal.




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