CURITIBA – Em um movimento que pegou de surpresa o tabuleiro político nacional e estadual, o governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), anunciou oficialmente que não disputará a Presidência da República em 2026. A decisão, consolidada após um almoço estratégico com sua base aliada no Palácio Iguaçu, marca um recuo tático: o governador permanecerá no cargo até o fim do mandato, em dezembro, com o objetivo central de conduzir pessoalmente a eleição de seu sucessor, o secretário das Cidades, Guto Silva.
O anúncio ocorre em um momento de alta voltagem política. Ratinho Junior embarcou para Brasília para uma série de agendas que visam conter o avanço do PL (Partido Liberal) sobre o território paranaense. A legenda de Jair Bolsonaro, articulada por Flávio Bolsonaro, sinalizou um rompimento com o atual governo estadual para apoiar a candidatura do senador Sergio Moro (União Brasil) ao Palácio Iguaçu.
O xadrez da sucessão e o “fator Moro”
A permanência de Ratinho Junior no comando do estado é vista como uma tentativa de “blindar” a máquina pública e garantir competitividade a Guto Silva, que enfrenta resistência interna e externa. No PSD, a escolha de Guto gerou desconforto em figuras como Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa, e Rafael Greca, ex-prefeito de Curitiba, que também pleiteiam a vaga.
Com Ratinho fora da disputa presidencial, ele se torna o principal cabo eleitoral no estado, tentando evitar que o palanque bolsonarista migre integralmente para Sergio Moro. O senador, que lidera as pesquisas de intenção de voto, tornou-se a maior ameaça à continuidade do projeto político do PSD no Paraná.
Bastidores e o futuro após o governo
Fontes próximas ao governador indicam que a decisão também teve um forte componente familiar. Além das pressões políticas e do risco de isolamento caso o PL oficializasse o apoio a Moro enquanto Ratinho estivesse em campanha nacional, o governador optou por cumprir o mandato integral para, só então, retornar ao setor privado.
Em nota, Ratinho Junior reafirmou seu compromisso com o estado: “Minha prioridade é concluir as entregas planejadas para os paranaenses e garantir que o projeto de desenvolvimento que iniciamos não sofra interrupções”. Ao encerrar seu ciclo no Executivo, o governador planeja assumir a presidência do Grupo Massa, conglomerado de comunicação fundado por seu pai.
Repercussão em Brasília
A desistência é um revés para Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, que contava com o nome de Ratinho para fortalecer a terceira via ou barganhar espaços em uma eventual coalizão nacional. Por outro lado, o movimento isola Moro de um possível apoio oficial da máquina estadual, forçando o ex-juiz a se consolidar como o nome da oposição “pela direita”, agora com o suporte declarado do PL de Flávio Bolsonaro.
O cenário para as próximas semanas é de intensa articulação na janela partidária, com a expectativa de que Ratinho Junior use sua autoridade para unificar a base e estancar possíveis defecções de aliados atraídos pelo novo eixo Moro-Bolsonaro.




Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.