A política paranaense sofreu uma guinada histórica nesta semana com o anúncio oficial do governador Ratinho Junior (PSD) de que não disputará a Presidência da República em 2026. A decisão, comunicada ao presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, altera profundamente o tabuleiro eleitoral, transformando o Paraná em um dos principais campos de batalha entre o grupo governista e a oposição liderada pelo senador Sergio Moro.
O recuo estratégico de Ratinho Junior
Ao optar por cumprir seu mandato no Palácio Iguaçu até dezembro de 2026, Ratinho Junior prioriza a manutenção do controle da máquina estadual e a viabilização de um sucessor de sua confiança. Segundo interlocutores próximos, a movimentação foi uma resposta direta ao avanço do PL, que oficializou apoio à pré-candidatura de Sergio Moro ao Governo do Estado.
Se Ratinho tivesse renunciado para concorrer ao Planalto, o estado ficaria sob o comando do vice-governador Darci Piana, mas a articulação política para a sucessão poderia ser fragilizada diante de nomes com forte apelo popular, como o próprio Moro e o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca, que recentemente migrou para o MDB buscando viabilizar sua candidatura.
Os nomes no radar do governador
Com a permanência de Ratinho no cargo, o foco agora se volta para quem receberá a “benção” oficial do PSD. No momento, três nomes aparecem com mais força dentro da base aliada:
- Alexandre Curi (PSD): O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) é visto como o articulador com maior capilaridade política no interior e conta com o apoio de grande parte dos prefeitos.
- Guto Silva (PSD): Atual secretário das Cidades, ele já confirmou que deixará o cargo em abril para se dedicar à pré-campanha. É considerado um técnico de confiança e um dos nomes mais próximos do governador.
- Eduardo Pimentel (PSD): Atual prefeito de Curitiba, seu desempenho na capital será determinante para medir sua força em uma disputa estadual.
A ameaça de Sergio Moro e o fator bolsonarista
A entrada definitiva de Sergio Moro na disputa pelo Governo do Paraná, agora com o suporte do PL e de Flávio Bolsonaro (que mira a Presidência), coloca a hegemonia do PSD em xeque. Pesquisas recentes indicam que o ex-juiz lidera as intenções de voto espontâneas no estado, o que obrigou o grupo de Ratinho Junior a “fechar fileiras” para evitar uma derrota doméstica.
O futuro de Ratinho Junior
Em nota, o governador afirmou que, após encerrar seu ciclo no governo em dezembro de 2026, pretende retornar ao setor privado para presidir o grupo de comunicação de sua família. No entanto, analistas políticos não descartam que sua permanência no cargo seja uma forma de pavimentar um retorno triunfal em pleitos futuros, mantendo o Paraná como seu principal reduto eleitoral e vitrine administrativa.
A disputa no Paraná em 2026 promete ser uma das mais acirradas do país, servindo como termômetro para a força do centro-direita e para a capacidade de transferência de votos de Ratinho Junior, que ostenta altos índices de aprovação, mas agora enfrenta adversários de peso com palanque nacional.




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