Servidores do Paraná criticam Ratinho Jr por reajuste de 5% ante defasagem de 52%

A tensão entre o funcionalismo público do Paraná e o Palácio Iguaçu atingiu um novo ápice nesta terça-feira, 31 de março de 2026. O governador Carlos Massa Ratinho Jr. protocolou na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) um projeto de lei que prevê um reajuste salarial linear de 5% para todas as categorias. O índice, no entanto, foi recebido com indignação por lideranças sindicais e professores, que apontam uma perda inflacionária acumulada superior a 50% nos últimos sete anos.

As redes sociais tornaram-se o palco principal das críticas. O professor Sebastião Donizete Santarosa expressou a revolta de parte da categoria ao afirmar que o governo não pretende ceder além do anunciado.

“O Rato vai dar 5% e mais nada. Absolutamente MAIS NADA!”, disparou o docente, que também não poupou críticas à cúpula da APP-Sindicato, classificando a postura da direção como “peleguismo” diante da gravidade da situação.

O abismo dos números: Servidores vs. Cúpula do Poder

A principal queixa dos funcionários públicos reside na disparidade entre os reajustes concedidos aos servidores do Poder Executivo e os aplicados aos próprios membros da administração e do legislativo.

Enquanto o funcionalismo luta para repor perdas que, segundo cálculos do DIEESE e de entidades como o SINDISEAB e a APP-Sindicato, chegam a 52,18%, os ocupantes do primeiro escalão e parlamentares garantiram correções substanciais em anos recentes:

  • Deputados Estaduais: No final de 2022, a Alep aprovou um aumento escalonado de 37,1% para os parlamentares, que se completa agora em 2026, elevando os subsídios de R$ 25,3 mil para R$ 34,7 mil.
  • Secretários de Estado: O salário dos secretários saltou de R$ 23,6 mil para R$ 29,9 mil no mesmo período de correção.
  • Governador: O subsídio do governador Ratinho Jr. foi fixado em R$ 33,7 mil.

Por que a diferença nos reajustes?

A justificativa oficial do governo para não conceder a recomposição integral aos servidores baseia-se na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e na necessidade de manter os gastos com pessoal dentro do limite prudencial. Entretanto, sindicatos contestam essa tese, afirmando que a arrecadação do Estado é recorde e que o comprometimento da Receita Corrente Líquida (RCL) com a folha de pagamento está abaixo do teto permitido, o que daria margem para um reajuste maior.

A diferença de tratamento ocorre porque os aumentos para o Legislativo e para o primeiro escalão do Executivo são frequentemente votados em projetos específicos pela Alep, muitas vezes atrelados aos reajustes do Congresso Nacional (efeito cascata), enquanto a data-base dos servidores depende de previsão orçamentária enviada pelo próprio governador e de negociações anuais que têm sido marcadas por parcelamentos ou índices abaixo da inflação oficial.

Histórico recente de reposições (Poder Executivo):

AnoReajuste ConcedidoObservação
20202,00%Paga em janeiro/2020
20223,00%Paga em janeiro/2022
20235,79%Paga em agosto/2023
20265,00%Proposta atual (em tramitação)

Com o anúncio dos 5%, professores e funcionários de universidades estaduais já sinalizam estado de greve. A oposição na Alep tenta obstruir a votação para forçar uma mesa de negociação que eleve o percentual, mas a base governista espera aprovar o texto ainda esta semana em regime de urgência.

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