TCE-PR investiga programa Olho Vivo de Ratinho Jr. por suspeita de superfaturamento e contratação sem licitação

O Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) abriu uma investigação para apurar graves indícios de irregularidades na implementação do programa Olho Vivo, a principal aposta tecnológica do governo de Ratinho Jr. para a segurança pública. A denúncia, que ganhou força nesta semana de março de 2026, aponta que o sistema de videomonitoramento inteligente estaria operando com custos inflados, ausência de processos licitatórios adequados e falhas críticas na proteção de dados dos cidadãos.

​Indícios de superfaturamento e “jogo combinado”

​As investigações do TCE-PR focam em contratos que podem ultrapassar a marca de R$ 1 bilhão. Segundo parlamentares da oposição, como o deputado Arilson Chiorato (PT), o programa teria sido estruturado para favorecer empresas específicas, citando a norte-americana Paladium Corp como uma das beneficiárias.

​A suspeita é de que a empresa tenha participado da montagem do projeto técnico para, posteriormente, ser contratada como a “única opção viável”, o que na prática anula a concorrência pública. “Estão dando acesso primeiro e tentando legalizar depois. Isso não é licitação, é direcionamento”, afirmou Chiorato em pronunciamento na Assembleia Legislativa (ALEP).

​Uso de dados e falta de transparência

​Além da questão financeira, o TCE-PR analisa a legalidade do acesso a dados sensíveis. O programa Olho Vivo utiliza Inteligência Artificial para leitura de placas (LPR) e biometria, cruzando informações em tempo real com bases de dados de veículos e mandados judiciais.

​O tribunal apura se a empresa contratada possui autorização do Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito) e se respeita a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Há denúncias de que o sistema já estava em pleno funcionamento em cidades como São José dos Pinhais antes mesmo da formalização de contratos ou da apresentação de relatórios de impacto de proteção de dados.

​Ações do Tribunal de Contas

​O conselheiro relator do caso já determinou a intimação dos envolvidos, incluindo gestores da Secretaria de Segurança Pública (SESP) e da Secretaria das Cidades, chefiada por Guto Silva. O TCE-PR estabeleceu um prazo de 15 dias para que o Governo do Paraná apresente explicações detalhadas sobre os custos e a forma de contratação.

​O presidente do TCE-PR, Ivens Linhares, também designou um grupo de trabalho especial para auditar a governança do programa. Até o momento, o tribunal optou por não suspender o projeto imediatamente, preferindo ouvir os gestores antes de uma decisão cautelar, apesar do pedido de suspensão feito pela oposição devido ao risco de “pagamentos irreversíveis”.

​O que diz o Governo do Paraná

​Em notas recentes, o governo defende a eficácia do programa, destacando que as câmeras inteligentes já auxiliaram na recuperação de veículos e na prisão de criminosos. A gestão estadual afirma que o Olho Vivo é “o maior programa de monitoramento do Brasil” e que a tecnologia empregada segue padrões internacionais de segurança. Sobre as licitações, o governo alega que parte da estrutura foi viabilizada via Celepar, buscando centralizar serviços de forma prática, e nega qualquer irregularidade no processo.

​A investigação segue sob acompanhamento rigoroso, com a sociedade civil e órgãos de controle cobrando a retirada do sigilo de partes do processo para garantir a transparência sobre o uso do dinheiro público e a privacidade dos paranaenses.

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