A exclusividade da Novo Nordisk sobre a semaglutida — o princípio ativo dos cobiçados Ozempic e Wegovy — chegou oficialmente ao fim no Brasil em 20 de março de 2026. Após anos de domínio absoluto e uma tentativa judicial frustrada da fabricante dinamarquesa para estender o prazo até 2038, o mercado brasileiro tornou-se, tecnicamente, um campo aberto. No entanto, o consumidor que correu às farmácias em busca de um genérico barato encontrou as mesmas prateleiras de sempre.
A transição entre o “fim do monopólio” e a “chegada do genérico” enfrenta um gargalo que mistura rigor sanitário e complexidade industrial.
Por que o preço ainda não caiu?
Embora a patente tenha expirado, a produção de um medicamento genérico não é automática. Existem três barreiras principais que mantêm os preços elevados no curto prazo:
- Fila de aprovação na Anvisa: Atualmente, a agência reguladora analisa cerca de 17 pedidos de registro para medicamentos à base de semaglutida. Gigantes nacionais como EMS, Cristália e Ávita Care lideram essa corrida, mas o processo de análise de bioequivalência e segurança é rigoroso e pode levar meses.
- Complexidade da caneta aplicadora: Diferente de um comprimido comum, o Ozempic utiliza uma tecnologia de injetores de precisão. Produzir a semaglutida sintética é um desafio, mas fabricar o dispositivo de aplicação em escala industrial exige investimentos que poucas farmacêuticas brasileiras dominam plenamente.
- Logística de insumos: A alta demanda global pela matéria-prima da semaglutida gera uma competição internacional por fornecedores, o que impede uma redução drástica de custos de produção neste primeiro momento.
Quando as versões mais baratas chegam?
A expectativa do setor farmacêutico é otimista para o segundo semestre de 2026.
- EMS: A farmacêutica brasileira planeja colocar suas primeiras unidades no mercado até setembro de 2026, com a meta audaciosa de produzir 1 milhão de canetas ainda este ano.
- Redução de preços: Analistas de mercado estimam que os primeiros genéricos cheguem com um valor entre 20% e 30% menor que o produto original. No longo prazo, com o aumento da concorrência, essa queda pode atingir 40%.
- Parcerias estratégicas: A Eurofarma optou por um caminho diferente, lançando versões (como o Poviztra) em parceria direta com a própria Novo Nordisk, o que garante a tecnologia original, mas mantém o preço em patamares ainda elevados.
O impacto no SUS
O fim da patente reacendeu o debate em Brasília sobre a incorporação do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS). O Ministério da Saúde sinalizou que a queda de preços decorrente da concorrência é o fator determinante para viabilizar a oferta gratuita do tratamento para obesidade e diabetes tipo 2, algo que antes era considerado financeiramente insustentável (estimado em R$ 8 bilhões anuais).
Atenção: Medicamentos à base de semaglutida devem ser utilizados apenas sob prescrição e acompanhamento médico, devido aos riscos de efeitos colaterais graves e contraindicações específicas.




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