A advogada argentina Agostina Páez, de 29 anos, retornou a Buenos Aires nesta semana após o pagamento de uma caução no valor de R$ 97.620. O montante corresponde à metade da indenização total de R$ 194 mil proposta pelo Ministério Público do Rio de Janeiro em benefício das vítimas. Com o depósito efetuado, a Justiça autorizou a retirada de sua tornozeleira eletrônica e a sua saída do país, embora o processo criminal por injúria racial continue em tramitação.
O caso e o desdobramento judicial
O episódio que motivou a denúncia ocorreu no dia 14 de janeiro de 2026, em um restaurante localizado em Ipanema, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Segundo a denúncia e registros em vídeo que viralizaram, Agostina teria chamado um funcionário de “mono” (macaco, em espanhol) e realizado gestos imitando o animal durante uma discussão sobre o valor de uma conta.
Após ser presa em flagrante e ter a prisão convertida em preventiva, a ré passou a responder em liberdade sob medidas cautelares, incluindo o uso de monitoramento eletrônico. A decisão recente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) considerou que manter uma cidadã estrangeira indefinidamente no Brasil, sem renda e longe da família, violaria os princípios de proporcionalidade, uma vez que a própria Promotoria concordou com a extradição mediante o pagamento dos danos.
Declarações e próximos passos
Ao desembarcar na Argentina na quarta-feira (1º de abril), Agostina falou com a imprensa e descreveu o período no Brasil como um “calvário”.
- A defesa: Sustenta que ela agiu de forma inadequada em um momento de conflito, mas nega motivação racista, alegando arrependimento.
- A acusação: O Ministério Público mantém a tese de injúria racial, crime que, no ordenamento jurídico brasileiro, é equiparado ao racismo, sendo inafiançável e imprescritível.




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