Documentos da Receita Federal e da Polícia Federal, revelados nesta semana, apontam que o Banco Master realizou repasses que somam cerca de R$ 24 milhões para empresas ligadas ao apresentador Ratinho e à família do governador do Paraná, Ratinho Júnior. O caso faz parte de uma investigação mais ampla que apura a formação de uma suposta rede de influência política e jurídica financiada pela instituição financeira.
Detalhes das transações e envolvidos
De acordo com os relatórios fazendários, os valores foram destinados a diferentes braços do Grupo Massa. Entre os principais pontos destacados na investigação estão:
- Massa Intermediação: Empresa vinculada ao grupo que teria recebido a maior fatia dos recursos sob a justificativa de serviços de publicidade e parcerias comerciais.
- Gralha Azul Empreendimentos: Outra empresa ligada à família que recebeu aproximadamente R$ 3 milhões.
- Conexão com o Governo do Paraná: O apresentador Ratinho atuou como garoto-propaganda do cartão CredCesta, produto do Banco Master. Coincidentemente, o cartão foi adotado para o pagamento de servidores públicos no governo de Ratinho Júnior, embora o contrato tenha enfrentado bloqueios judiciais e críticas de sindicatos no final de 2025.
O contexto da investigação
A investigação sugere que o Banco Master, sob o comando de Daniel Vorcaro, teria utilizado repasses financeiros para “abrir portas” em diversas esferas do poder. Além do Grupo Massa, a lista da Receita Federal inclui pagamentos a escritórios de advocacia de ex-ministros e parentes de magistrados de cortes superiores.
A CPI do Crime Organizado já analisa os documentos para convocar representantes das empresas envolvidas. O objetivo é apurar se os serviços declarados nas notas fiscais foram efetivamente prestados ou se os valores serviram como meio de influência política e regulatória.
O que dizem os citados
Em nota oficial, a assessoria do apresentador Ratinho e do Grupo Massa afirmou que todas as parcerias comerciais são conduzidas de forma responsável e dentro da legalidade, com contratos formais e emissão de notas fiscais. O apresentador reforçou que o desinvestimento em ativos citados, como o resort Tayayá, ocorreu por razões puramente estratégicas.
Já o governador Ratinho Júnior tem declarado, por meio de sua defesa, que não faz parte do quadro societário das empresas mencionadas (Massa Intermediação e Gralha Azul) e que sua gestão não se confunde com as atividades empresariais de sua família.
O Banco Master, que atualmente atravessa um processo de liquidação extrajudicial iniciado em janeiro de 2026, não comentou especificamente o teor dos documentos vazados, mas anteriormente defendeu a regularidade de suas operações de marketing e consultoria.




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