Banco Master financiou eventos de R$ 60 milhões para cúpula do Judiciário e Legislativo no exterior

Novos detalhes de investigações da Polícia Federal (PF) revelam a magnitude dos gastos do Banco Master, sob o comando do banqueiro Daniel Vorcaro, para estreitar laços com o alto escalão da República brasileira. Documentos obtidos pelos investigadores indicam que a instituição financeira desembolsou R$ 60 milhões (aproximadamente US$ 11,5 milhões) para custear eventos de luxo em Londres, Nova York e Lisboa ao longo de 2024.
Os gastos, que incluíram desde o fretamento de jatinhos até degustações de uísques raros, colocam sob os holofotes a relação entre o sistema financeiro e autoridades que tomam decisões cruciais para o setor.

Luxo e influência: Os detalhes dos eventos

O levantamento aponta que o evento mais oneroso ocorreu em Londres, em abril de 2024, durante o “1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias”. O Master teria destinado cerca de US$ 7,5 milhões (R$ 38,7 milhões) apenas para este encontro.
As despesas detalhadas pela PF incluem:

  • Hospedagem de alto padrão: Estadias no exclusivo The Peninsula London Hotel, onde diárias chegam a R$ 6 mil.
  • Transporte executivo: Locação de dois jatinhos fretados para transportar autoridades de Lisboa a Brasília, com custo de US$ 232,6 mil (R$ 1,2 milhão).
  • Entretenimento e mimos: Shows com artistas internacionais, entrega de troféus de cristal, charutos e degustação de uísque Macallan.

Autoridades presentes

A lista de participantes dos eventos financiados pelo banco abrange figuras proeminentes do cenário jurídico e político:

  • Supremo Tribunal Federal (STF): Ministros como Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.
  • Superior Tribunal de Justiça (STJ): Integrantes como Antonio Saldanha Palheiro e Benedito Gonçalves.
  • Executivo e Legislativo: O procurador-geral da República, Paulo Gonet; o advogado-geral da União, Jorge Messias; e os senadores Ciro Nogueira e Davi Alcolumbre.

Contexto das investigações

A revelação desses gastos ocorre em um momento crítico para o Banco Master. No final de 2025, a instituição sofreu intervenção e liquidação extrajudicial pelo Banco Central, em meio a acusações de fraudes que podem ter gerado um rombo superior a R$ 50 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Daniel Vorcaro, que chegou a ser preso preventivamente no final de 2025 e posteriormente liberado com uso de tornozeleira eletrônica, acompanhava pessoalmente os desembolsos para os eventos internacionais.

Posicionamento das defesas

A defesa de Daniel Vorcaro informou que não se manifestaria sobre o tema das investigações. Já as autoridades citadas, em ocasiões anteriores, afirmaram que participaram dos fóruns na condição de palestrantes convidados por entidades acadêmicas ou organizadoras (como Lide e Esfera Brasil), ressaltando que, na época, não havia suspeitas públicas contra a instituição financeira.
O caso agora levanta debates no próprio STF sobre possíveis impedimentos éticos de ministros em processos que envolvam o Banco Master, dado o histórico de proximidade financiado pela instituição.

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